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Veja as dicas neste pedaço do filme legendado…(apenas 1:24)  Se gostou compartilhe com os amigos… Bom 2010 a todos. Que este seja um ano de Menos informação e Mais experiência.
O Trailer do Filme, para os que ainda não assistiram
Acho que vale a pena duas assistidas… uma prestando atenção ao clip e outra prestando atenção na letra… Falado: Quando olho para trás ao longo dos anos Isto é o que meu pai me disse Refrão: Cair novamente Olá Pai, Eu acredito no sentimetos que escuto Cair novamente Isto é o que meu pai me disse Cair novamente Cair novamente * Roca: máquina para fiar que consiste em uma banqueta na qual se apóia uma roda movida a pedal você vai ouvir?
Ouvi-la de verdade,
Promete que quando ela falar, você vai ouvir? Ouvi-la de verdade…
Um pedaço do filme com esta fala… legendado
Trailer legendado
Trilha sonora com 4 deliciosas músicas… Clique aqui pra ver uma exposição que criei sobre o tema Ouvir, no Flickr Clique aqui para ler um texto de Rubem Alves sobre Escutar
BeirutPostcards From ItalyOs nossos tempos A alma despedaçada E eu amarei ver esse dia Mais de Beirut? Clique aqui Sabe aquele filme, que te deixou pensando semanas, e que eventualmente te fez até mudar algo em relação a  sua vida ? Pois é, acabo de me encontrar com algo assim, mas não é um filme e sim o episódio de uma série. Para quem não conhece, Dr House é uma série que tem como personagem principal um médico extremamente inteligente, sarcástico, egocêntrico, narcisista etc, que com sua equipe faz o diagnóstico de doenças extremamente raras de seus pacientes. Os CrÃticos da série dizem que a receita é sempre a mesma, e pode se resumir em:
Realmente a maioria dos episódios podem ser sintetizados dessa forma, mas isso seria como tentar resumir um livro em 4 tópicos apenas. São os detalhes que fazem desta uma série  acima da média, mostrando a humanidade e a complexidade dos personagens e, principalmente e estranhamente, do megalomanÃaco  House (em um dos episódios, ele até disputa com Deus). No começo desta temporada, a sexta, House se interna num instituto psiquiátrico para resolver seu drama com um vÃcio em analgésicos. Você não precisa ter assistido as temporadas anteriores para entender este episódio. Nele House, como nunca antes na série, lida com suas dores e dilemas, chegando a fazer terapia no meio do episódio. Ai que esta a grandeza deste episódio: Os dilemas do House são dilemas universais. Tenho certeza que se assistir, você será tocado. Existem vários caminhos para você baixar este episódio Que tal um “trailer”?
Uma música da trilha que adorei “… não sou apaixonado pelo popular. Porque esse popular dá a entender que essa música deva ser feita para agradar ao povo. Essa palavra sugere que você entre num esquema, num padrão de canção de letras de fácil acesso, e que continue mantendo aquilo que não pode permanecer, que é justamente a relação do povo com a arte. A arte não é permanência nunca. E hoje em dia há uma confusão. As pessoas acham que fazer arte é dar o que elas esperam, e, na minha opinião, elas esperam muito pouco.”
Uma entrevista do cantor Paulinho Moska, feito pela jornalista PatrÃcia Palumbo, retirado do livro “Vozes do Brasil”
Vamos começar falando da sua vontade de conceituar novamente a MPB, a música popular brasileira. Nessa sigla, o meu grande problema é a palavra “popular”. É um problema mais matemático, e o meu problema com a matemática é uma grande paixão. Eu só interfiro naquilo por que me apaixono, entende? Sou apaixonado por música, sou apaixonado pelo Brasil, não sou apaixonado pelo popular. Porque esse popular dá a entender que essa música deva ser feita para agradar ao povo. Essa palavra sugere que você entre num esquema, num padrão de canção de letras de fácil acesso, e que continue mantendo aquilo que não pode permanecer, que é justamente a relação do povo com a arte. A arte não é permanência nunca. E hoje em dia há uma confusão. As pessoas acham que fazer arte é dar o que elas esperam, e, na minha opinião, elas esperam muito pouco.
Como você vê a riqueza da música brasileira, a diversidade que segue na direção contrária à massificação? O público não tem esse leque de opções e, por isso, acaba consumindo aquela mesma coisa. Os meios de comunicação se alimentam disso e se justificam dizendo que estão vendendo aquilo que o povo gosta. Alegam isso para não tocar outras músicas, não divulgar trabalhos que não são imediatamente vendáveis. Isso é um grande erro, porque cada artista, cada obra de arte, forma um povo. Uma obra de arte é uma proposta estética e ética. Uma verdadeira obra de arte é aquela que não está presa a esses padrões de permanência. Quando alguém propõe uma coisa diferente, ela é assimilada por esse mesmo povo que é chamado de ignorante.
E é aà que entra o seu conceito da máscara? Exatamente, vamos “deleuziar” agora. Em certo momento da minha vida, por intuição, eu soube que tinha que sofisticar a minha música. Foi quando tive a oportunidade e a sorte de participar de um grupo de estudo sobre Gilles Deleuze, um filósofo francês. 0 grupo era coordenado por Cláudio Ulpiano que, mais do que filosofia, me ensinou a pensar.
Em que momento da sua carreira isso aconteceu? Foi entre o Vontade e o Pensar é fazer música. Bom, deixei o Inimigos do Rei e gravei um disco de rock, porque naquele momento era o melhor veÃculo para o meu grito. Na época, estava surgindo o Nirvana, e ouvi nesse movimento de Seattle um grito estético que havia muito tempo o rock não soltava.
Você precisava dessa atitude para se posicionar? Eu precisava de uma atitude para sair e dizer: “A minha relação com a música não é só de ser engraçado e de fazer o que fiz até agora’. Utilize rock com muita felicidade, era o que eu queria fazer na época. Mas depois comecei a ver meu nome ser atrelado à palavra “roqueiro”, e isso me incomodou muito. Eu havia saÃdo do Inimigos para deixar de ser o irreverente, o engraçadinho, mas tinha recebido outro rótulo. Então. desde a divulgação do Vontade, já comecei a dizer que não era roqueiro. que era músico, compositor, artista, e que não queria rótulos. E só agora, depois de cinco discos, é que isso foi realmente assimilado. As entrevistas agora começam assim: “Ah, você realmente é um camaleão!” Fico muito orgulhoso porque foi essa foi uma briga que realmente comprei. 0 Pensar é fazer música, que é um disco posterior ao grupo de estudos de filosofia, é obviamente sobre filosofia e autoconhecimento.
0 cd fecha com essa vinheta “Pensar é fazer música”… É, tem essa vinheta no final, e as fotos são inspiradas nos auto-retratos do Egon Schiele. As canções são todas de autoquestionamento: falam sobre as questões do tempo, do espaço, do eu, da essência. Tem a música “Camaleão” e outra chamada “Último dia”, que talvez seja a canção que mostra, de forma mais banal, a minha proposta. Ninguém passou incólume por essa letra.
É verdade. É impossÃvel não perguntar a si mesmo: “E se só me restasse este dia?” Na verdade, esse talvez seja o grande motivo pelo qual escrevo, o famoso “e eu?” Acho que o meu maior prêmio é ler os e-mails que me mandam e perceber neles que as pessoas perguntaram a si mesmo: “E eu?” Esse cara entrou na viagem que eu propus. Porque a minha estética de letras e de música não é uma estética pop star. Não estou numa posição melhor, não estou dizendo: “Venham atrás de mim”. O meu maior motivo é fazer que as pessoas passem por uma transformação. Então, quando alguém escuta uma música e depois me escreve dizendo que aquilo o fez pensar, esse é meu maior orgulho.
É o sucesso para você? Isso é o sucesso. Saber que uma, duas, três pessoas perceberam na sua música um ingrediente para fazer um prato novo. Os temperos são os mesmos, mas a gente pode misturá-los de maneira diferente e mudar sua imagem da vida, sua relação com o mundo, sua própria imagem o tempo inteiro. Sou extremamente obsessivo com essa idéia, e talvez isso me force a mudar sempre. Estou mudando de cara, as pessoas me falam: “Pó, você mudou de novo?” Eu respondo: “Mudei para continuar a ser o mesmo!”
laughing with (tradução) regina spektorComposição: Regina Spektor Ninguém ri de Deus em um hospital Ninguém ri de Deus quando o médico liga depois de alguns exames rotineiros Ninguém ri de Deus quando a polÃcia bate à sua porta Mas Deus pode ser engraçado Deus pode ser engraçado Ninguém ri de Deus em um hospital Ninguém ri de Deus no dia em que percebe que sua última visão será um par odioso de olhos. Mas Deus pode ser engraçado Deus pode ser engraçado Ninguém ri de Deus em um hospital Ninguém está rindo de Deus quando está morrendo de fome, congelando ou muito pobre. Ninguém está rindo de Deus Veja uma apresentação ao vivo
Mais de Regina Spektor? Clique aqui Outra musica estranha sobre Deus? Clique aqui Regina Spektor diz: “Dois pássaros em um fio Paulinho Moska diz: “Um salta, o outro pousa Dave Matthews diz: “Um garoto anda 10 milhas até a escola Funny The Way It Is -- Dave Matthews Band -- VÃdeo com tradução
Two Birds -- Regina Spektor -- VÃdeo com tradução
Um e Outro -- Paulinho Moska -- Colagem que fiz
Dave Matthews Band lança um novo CD, ( Big Whiskey And The GrooGrux King ). Muito bom, mais pesado e mais denso… Saboreie… “Somente um jeito de Sair do mundo” Why I Am -- com legenda
GrooGrux é o apelido carinhoso que a banda  deu ao saxofonista LeRoi Moore, que faleceu em agosto de 2008 em consequência de ferimentos em um acidente de quadriciclo motorizado. Funny The Way It Is -- Letra em português
You & Me - Uma mais calminha Seven -- Com uma letra bem sexual, confira no google mais próximo rs All the lonely people -- The Beatles -- Legendado
“Para mim, é realmente bem simples, a vida deve ser vivida no limite. Você tem que exercitar rebelião. Recusar a se prender a regras, recusar seu próprio sucesso, recusar se repetir, ver cada dia, cada ano, cada idéia como um desafio real. Assim você viverá sua vida numa corda bamba.” Philippe Petit Vencedor do oscar de 2008 de melhor documentário, vale apena asssistir, mesmo que você não goste de documentarios. Trailer Legendado
Segue um texto maravilhoso de João Moreira Salles sobre o mesmo fato. “Até a queda das torres, o visitante que subisse as escadas do WTC ainda podia ver o desenho que o maior equilibrista de todos os tempos riscou na parede, anunciando o mais bonito crime da história. “
Numa manhã de 1974, um rapaz de vinte e poucos anos cometeu o crime com o qual sonhara desde os dezoito. Local: as torres do World Trade Center.
Levou mais de um ano planejando o golpe. Durante semanas registrou pacientemente o movimento do lugar onde agiria. Anotou tudo num pequeno caderno: logos de empresas estampados nas laterais dos veÃculos de entrega, números de telefone, horários de entrada e saÃda de pessoal, uniformes de trabalho. Simulando um aleijão, durante dias passou lentamente diante da porta de segurança que dava acesso à área de serviço do prédio comercial. A rotina era sempre a mesma: fingindo cansaço, parava de andar e apoiava-se nas muletas, enquanto o olho acompanhava os dedos dos funcionários que digitavam o código de abertura da porta. Decifrou a combinação: 7-7-4-3-5. Daà por diante, suas visitas clandestinas ao interior do prédio se tornaram diárias. Finalmente, depois de criar uma empresa fantasma, de forjar documentos e crachás, depois de lograr introduzir ilegalmente no edifÃcio mais de trezentos quilos de material indispensável ao delito, o rapaz burlou pela última vez os sistemas de segurança, passou a noite escondido nas escadas de incêndio e, na manhã do dia 7 de agosto de 1974, cometeu seu crime.
Toda a cidade de Nova York foi testemunha. Wall Street parou. O trânsito parou. As pessoas que chegavam para o trabalho pararam. Mais tarde, o escritor Paul Auster diria: “É muito bom lembrar daquela manhã de 74 em que um rapaz ofereceu a Nova York um presente de beleza atordoante e indelévelâ€. Durante quarenta minutos, o francês Philippe Petit andou numa corda bamba estendida entre as torres gêmeas, a quatrocentos metros de altura, sem nenhum dispositivo de segurança, nem mesmo um cinto para prendê-lo ao cabo sobre o qual andou, correu, dançou e, finalmente, sobre o qual se deitou para ver o céu. Hoje, seis anos depois do desaparecimento das torres, é bom falar de Petit. Com seu gesto, Petit cometeu o anti-11 de setembro. Um crime lindo, cuja única conseqüência é a memória de um homem que desafiou e venceu a altura. Petit descobriu na adolescência suas duas paixões: o funambulismo e os gestos inúteis. A primeira diz respeito à velha arte de andar na corda bamba. A segunda, a tudo o que é intranscendente e gratuito, existindo apenas para si, como a canção que a gente canta no chuveiro. Em 26 de junho de 1971, Petit estendeu um cabo entre as torres da catedral de Notre Dame e, para espanto de Paris, passeou de lá para cá e de cá para lá a mais de cem metros de altura. Foi preso logo que desceu. Dois anos depois, em 1973, repetiu o golpe em Sidney, agora fixando seu cabo nas pilastras da ponte que atravessa a baÃa da cidade. Mais uma vez, decidiu não pedir licença. Foi preso novamente. Sempre julgou que recorrer a pedidos de autorização equivaleria a reconhecer o direito de alguém lhe dizer o que podia ou não fazer com sua corda bamba. Além disso, supôs, acertadamente, que a grande beleza do que faz tem relação estreita com a surpresa, com a possibilidade de que, num dia cinza e trivial, as pessoas que passam pela rua olhem para cima e se deparem com o impossÃvel. Por isso, os preparativos devem ser secretos. Sem o segredo, não haveria aquilo que, por falta de palavra melhor, pode-se chamar de maravilhoso. “IMPOSSÃVEL†A história começa em Paris, na sala de espera de um dentista. Petit chega antes da hora marcada. Para passar o tempo, pega uma revista. Vira as páginas sem muito interesse. Até que: “Há silêncio. Olho atentamente para uma ilustração e leio e releio um pequeno artigo sobre um edifÃcio incrÃvel cujas torres gêmeas, com 110 andares de altura, vão se erguer sobre Nova York e ‘fazer cócegas nas nuvens’. Então é como por reflexo que pego o lápis na minha orelha e desenho uma linha entre as duas torres — uma corda, mas sem ninguém se equilibrando nelaâ€. Petit acaba de completar dezoito anos. Dois anos depois, desembarca em Nova York. Pega o metrô e sai na nova estação que serve as torres gêmeas. Enquanto sobe as escadas que desembocam na rua, tenta avistar o topo dos prédios. O pescoço vai se dobrando para trás. Já na calçada, os olhos a um ângulo de 90 graus contra o céu, Petit se apóia na ponta do corrimão e pensa: “ImpossÃvelâ€. Minutos depois, encontra uma escada de serviço e começa a subir a Torre Norte. Leva uma hora para chegar ao topo. A plataforma de observação ainda está em obras. Petit espeta a cabeça para fora e, através de uma selva de cabos e vergalhões estruturais, consegue avistar a outra torre. Nesse primeiro dia não tem coragem de chegar até a beirada. Poucos dias depois, chega. Petit e um amigo alcançam o alto da Torre Norte na hora do almoço dos operários. A plataforma está deserta. Petit salta a mureta de proteção e caminha pelo parapeito. Os pés estão a milÃmetros do abismo. Começa a se sentir à vontade. Equilibra-se numa perna. Dá saltinhos. Vê uma vassoura largada no chão e a equilibra na ponta do nariz. O amigo fotografa. Daà por diante, visita as torres praticamente todos os dias. Inventa uma revista francesa de urbanismo (Metropolis — Premier mensuel français de planification urbaine et regionale) e consegue ser recebido pelo engenheiro responsável da obra. Petit posa de repórter, e o amigo, de fotógrafo. Pede para acompanhar os trabalhos na cobertura do prédio; solicita, e consegue, entrevistar os operários. Obtém informações sobre horários, hábitos, segurança. Enquanto isso, o amigo, com a máquina fotográfica e uma filmadora tomada de empréstimo de outro comparsa, registra todas as saliências da fachada, os pontos onde é possÃvel fixar um cabo. Certo dia, subindo as escadas, pega um lápis e rabisca a parede. Desenha a fachada da catedral de Notre Dame, une as duas torres com uma linha e escreve: “Notre Dame, 26 de junho de 1971â€. Desenha também a ponte de Sidney, e data. Por último, traça o perfil das torres gêmeas e, no lugar da data, faz um sinal de interrogação. Em seguida assina: “Philippe Petitâ€. Petit compra um bilhete para um passeio panorâmico de helicóptero por Nova York e pede que o piloto sobrevoe as torres. Do alto, tem a visão da distância que as separa: 42 metros e 6 centÃmetros. Menos do que uma piscina olÃmpica. E no entanto… Certa vez, Petit sai do metrô e quando alcança a rua sente um vento no rosto. Ao chegar no alto da torre, encontra uma borrasca. Tenta respirar sem pôr a mão diante do nariz. Não consegue. Tenta andar ereto sem se apoiar. ImpossÃvel. Agarra-se a uma pilastra e se deixa levar pela ventania. Os pés saem do chão. Petit fica na horizontal. O amigo fotografa. A quatrocentos metros de altura, os ventos chegam de supetão. A névoa também. Petit sabe que, no meio de sua travessia, pode subitamente deixar de ver a torre da qual partiu e a torre para a qual está indo. Mas o problema maior é o balanço da estrutura. Petit consulta um amigo engenheiro. “Tanto uma ventania como uma súbita mudança de temperatura forçarão a estrutura metálica a se expandir ou a se contrair, um fenômeno que chamamos de oscilação harmônica. A tensão no cabo passará instantaneamente de três para 3 mil toneladas. O cabo simplesmente explodirá, e você com ele.†Na França, Petit havia se aconselhado com seu mentor, Rudy Omankowsky, ou Papa Rudy, o maior especialista do mundo em corda bamba, criador da companhia Les Diables Blancs, a famosa trupe de equilibristas da Tchecoslováquia. Depois de ouvir o projeto de Petit, Papa Rudy recomendara vivamente o uso de um cinto de segurança. O pupilo se negou: “Não posso, nunca farei issoâ€. Papa Rudy segurou as mãos de Petit e disse: “Não pense que não compreendo. Eu sei. Você quer fazer algo… algo… bonitoâ€. O PRIMEIRO PASSO Petit acorda de sobressalto à s três da madrugada. Durante o sono, decidira a data — 7 de agosto — e o ponto de partida: a Torre Sul. Ao dar o primeiro passo, terá o mar atrás de si, e Nova York acordando diante dos olhos. Nos dias em que não visita as torres, faz malabarismos nas escadarias da Biblioteca Pública. É tão bom que chama a atenção dos telejornais locais. Aparece na televisão. Avisa que está planejando caminhar na corda bamba entre dois prédios da cidade, mas não diz a hora nem o local. Uma produtora de cinema fica deslumbrada com os malabarismos dele. Aborda-o na rua e diz que está formando o elenco de um filme estrelado por Dustin Hoffman. Pede que Petit vá até a casa de Hoffman. Petit vai e Hoffman o convida para participar do filme.Petit agradece, mas declina. Avisa que está planejando uma travessia clandestina pelo topo dos prédios da cidade. Hoffman se anima e sugere: “Deixa eu te dar uma sugestão. Por que você não tenta atravessar as torres do WTC?â€. “Aqueles dois prédios gigantes no sul de Manhattan?â€, ele responde com cara de sonso. “Puxa, quem sabe…†O apartamento que alugou vira um aparelho. Petit e os amigos dormem no chão. No centro da sala há uma maquete do World Trade Center. Nas cadeiras e na mesa estão espalhados os crachás falsos, os documentos apócrifos e as fotografias tiradas ao longo de meses de planejamento. Um colega de Petit, fazendo-se passar por estudante de arquitetura, recebera pelo correio um pacote da empresa de engenheira Emery Roth & Sons, construtora das torres, com a planta detalhada de cada um dos 110 andares do WTC. Os desenhos cobrem as paredes. Petit conhece cada milÃmetro das suas torres. Precisará desse conhecimento no dia 6, quando terá de se orientar pelas escadas e corredores escuros da Torre Sul. Passará a noite escondido, e à s cinco da manhã começará a armar o equipamento. Na semana do golpe, fica o dia inteiro na frente da TV tentando acompanhar os boletins meteorológicos, sem êxito. Petit raciocina no sistema métrico. Graus Fahrenheit e milhas por hora o confundem. Além disso, os boletins são muito rápidos e seu inglês é precário. Quando tenta anotar as informações, elas já desapareceram da tela. Desiste. Decide acordar no dia e olhar para o céu. Na véspera, organiza a falsa entrega. Alguns meses antes, conseguira o apoio de um empresário que o abordara depois de tê-lo visto na televisão; por sorte, o homem acabava de transferir seu escritório para a Torre Sul. Petit embala o material como se fosse uma remessa de aparelhos eletrônicos e deposita o volume no gabinete do amigo. Em seguida, esconde-se num túnel de ventilação da escada de incêndio e vai dormir. São mais de trezentos quilos de equipamento. Petit e um único amigo terão que transportar tudo até o topo. O último trecho da subida — o lance de escada que leva à plataforma de observação — terá de ser vencido no muque. Só o cabo de aço pesa duzentos quilos. Para tensioná-lo, Petit usará uma catraca hidráulica capaz de impor ao cabo uma resistência de três toneladas. A vara de equilÃbrio pesa 25 quilos e mede oito metros. Está dividida em quatro partes, cada uma acondicionada em seu cilindro. Há ainda os cabos chamados “cavalettisâ€, cordas que pendem do cabo principal e apontam para o chão. Sua principal função é reduzir as vibrações na superfÃcie da corda bamba, mas também desempenham um importante papel psicológico: ao delinear uma forma tridimensional no abismo, amenizam a sensação de vazio. Petit escreve: “O equilibrista sábio é aquele que distribui seus cavalettis com prudênciaâ€. Às quatro horas da manhã do dia 7, Petit e seu amigo acordam e começam a levar o equipamento para o topo. Dispõem de apenas três horas para aprontar tudo. É indispensável que a caminhada tenha inÃcio antes do primeiro operário chegar. Caso se atrasem, o golpe terá fracassado e não poderá ser repetido. Assim que o cabo começar a ser tensionado, estará à vista de qualquer policial de rua que olhe para o alto. Petit terá poucos minutos para instalar os cavalettis e dar o primeiro passo. Tão linda como a ousadia da caminhada é a instalação da corda. Como estender clandestinamente um cabo de duzentos quilos entre os dois prédios mais altos do mundo? Petit e seus amigos discutiram o problema durante meses. É o detalhe mais crucial de toda a aventura. ConcluÃram logo no inÃcio que a tarefa principal seria fazer chegar à outra torre uma corda que depois pudesse ser puxada, trazendo a reboque o cabo de aço. Alguém sugeriu amarrar a ponta da corda numa bola de tênis e em seguida dar uma raquetada na direção da outra torre. Surgiu a idéia de um chute preciso numa bola de futebol. Talvez um golpe firme numa bola de golfe. Pensou-se numa máquina de disparar discos de tiro ao alvo e em catapultas. Até que alguém propôs: “Que tal um arco-e-flecha?â€. Às cinco horas da manhã do dia 7 de agosto, uma flecha parte da Torre Norte, descreve uma parábola no céu e aterrissa no topo da Torre Sul. O cabo começa a ser puxado, e antes de ganhar a tensão adequada assume diferentes formas. Todas lembram um sorriso. As formas têm nome: são as curvas catenárias. Petit pára e admira seu cabo, esperando o momento em que ele desenhará a catenária que julga mais bonita. “Então, sorrio de voltaâ€. Finalmente, com o sol já alto, Petit apóia o pé esquerdo nos 25 milÃmetros de diâmetro do cabo. A sola do pé está viva, tateia cada palmo do aço, entende a superfÃcie. O peso do corpo desloca-se da perna direita para a esquerda — Petit já se sustenta apenas no cabo —, o pé direito passa adiante do esquerdo. Petit não tem mais chão, pelo menos não aquele que conhecemos, de duas dimensões, frente e lado. O terceiro passo o coloca além do parapeito. “Ao meu redor, nenhum pensamento. E todo o espaço do mundo.†Petit chega ao outro lado, e volta. No meio do caminho, ajoelha-se para a multidão que, na rua, está hipnotizada com o que vê. Vai se sentindo à vontade. Corre e dança. Um Boeing passa acima de sua cabeça, e se afasta. Por um momento, Petit tem a impressão de que, esticando a mão, tocará a fuselagem. Quando se deita para ver o céu, o cabo correndo ao longo de sua coluna, descansa a vara no peito e solta os braços no abismo. Levanta-se, vai e vem. Dos dois lados, nas duas torres, policiais começam a gritar. Um segurança se atira sobre a catraca. Desesperado, o amigo de Petitavisa que qualquer mudança na tensão do cabo matará o equilibrista. Petit decide terminar. Como número final, faz a “promenadeâ€: apóia a vara no ombro, solta uma das mãos e caminha como um camponês que voltasse de um dia na lavoura. Petit é preso. Na delegacia, rouba as chaves do policial e solta as algemas. Quando reparam, está equilibrando um quepe na ponta do nariz. Mais tarde, aparece em todos os programas jornalÃsticos da televisão. Recebe convites de Hollywood. Declina. Querem contratá-lo como garoto-propaganda de carros, biscoitos, lançamentos imobiliários. Recusa todas as propostas. Os jornalistas perguntam: “Por que você fez isso?â€. Petit responde: “Quando vejo três laranjas, faço malabarismos. Quando vejo duas torres, eu andoâ€. No dia seguinte, Nixon renuncia à presidência dos Estados Unidos, mas hoje, e em cada 11 de setembro do futuro, isso não terá tanta importância assim. Mais importante é Petit e a contramemória de um outro espetáculo, oferecido no mesmo cenário, num dia igual de verão, em que as pessoas também se espantaram, mas com a beleza, em que os aviões seguiram adiante, como devem, e em que um homem desafiou o bom senso, para alegria de todos. Até a queda das torres, o visitante que subisse as escadas do WTC ainda podia ver o desenho que o maior equilibrista de todos os tempos riscou na parede, anunciando o mais bonito crime da história. Eu não sei mais o que é certo nem o que é real Eu não sei mais como eu devo me sentir Quando você acha que tudo vai se esclarecer? É porque estou sendo tomada pelo medo “… Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deverÃamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amyr Klink “Oh, doçura Palavras do U2 em Ultraviolet (Light My Way). VÃdeo legendado com direito a piadinha com o Bush
Tradução : Rodrigo GaleoteEsta música faz parte da trilha sonora do filme “O Escafandro e a Borboleta” e é perfeita para o que o personagem principal  quer dizer aos seus filhos, depois do derrame que o deixou preso em seu próprio corpo, com apenas um olho para se comunicar com o mundo. O filme é um primor de experimentação fotográfica (angustiante no inÃcio, mas só no inicio), com toques de humor e uma história que nos faz refletir no amor, na dignidade humana, no valor dos filhos etc. Vale a pena cada minuto assistido. Trailer com legenda |
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