Jorge Drexler

Diários de Motocicleta, não apenas abriu os olhos de nós brasileiros para
nossos vizinhos hispanos, como também abriu nossos ouvidos. Num dia, ele mostrava suas canções para uma platéia de cem amigos num teatrinho carioca. No outro, recebia um Oscar fazendo protesto doce — mas bem político — via satélite. Pop ele sabe ser, como atesta El Otro Engranaje. Criar atmosferas, também é com o uruguaio. O que já se disse:

“Resistindo à correria de nosso tempo, Drexler valoriza o silêncio nas canções.” (Luciano Marsiglia na revista Bizz, novembro/06)

Confira 3 músicas lindas e uma entrevista logo abaixo

Al otro Lado del Rio (uma versão remix, trilha sonora do “Diários de Motocicleta”)

Milonga del moro judío (Não dei permissão para matar em meu nome)

Mi guitarra y Vos (Que viva a ciência e a poesia!!!)

Jorge Drexler
27.07.2006
Ganhador do Oscar de melhor canção por Al Otro Lado del Río, do filme Diários de Motocicleta, o cantor, compositor e violonista uruguaio exibe as baladas deliciosamente pop do disco Eco, a exemplo de Milonga Del Moro Judío e Deseo. Seu tema mais famoso, claro, não vai ficar de fora

Por Ricardo Moreno

Veja São Paulo — Você formou-se em medicina e chegou a exercer a profissão. Como ocorreu a transição para a música?
Jorge Drexler — Eu costumava tocar em bares e teatros de Montevidéu, no Uruguai. Meus dois primeiros discos, inclusive, foram bancados com o dinheiro que eu ganhava como médico. Certo dia, o cantor espanhol Joaquín Sabina me viu no palco e disse: “você não é médico, você é músico.” E me convidou para excursionar pela Europa. Não parei mais.

Veja São Paulo — Quantas vezes vocês já se apresentou em São Paulo?
Jorge Drexler — Esta é quarta vez. Antes, havia tocado no Sesc Vila Mariana, no aniversário do Washington Olivetto e junto com o Paulinho Moska numa universidade.

Veja São Paulo — Você é muito amigo do Moska. Qual a importância que ele teve na sua carreira?
Jorge Drexler — Foi o Moska quem consolidou a minha relação com o Brasil e com a música brasileira. Anos atrás, recebi um e-mail dele dizendo que tinha ouvido meu disco e queria gravar alguns temas. Me convidou para ir ao Rio de Janeiro. Lá, conheci figuras maravilhosas como Fernanda Abreu, Lenine, Celso Fonseca, Adriana Calcanhotto, Beto Villares e o percussionista Marcos Suzano, que participa do meu último trabalho, Eco.

Veja São Paulo — Apesar de vocês morar na Espanha há dez anos, continua gravando seus discos no Uruguai. Por quê?
Jorge Drexler — Tem muito a ver com o meu crescimento e minha identidade musical, e com a conexão que tenho com Montevidéu, afinal passei grande parte da minha vida lá. Além disso, é muito mais barato (risos).

Veja São Paulo — Sua vida mudou muito depois que ganhou o Oscar?
Jorge Drexler — Mudou, sobretudo no trabalho. Vendo mais discos, faço mais shows (média de quinze por mês) e, consequentemente, o reconhecimento artístico é maior. O lado ruim é que tenho ficado pouco em casa e não encontro mais tempo para escrever novas canções.

Veja São Paulo — No show do Tom Brasil você será acompanhado apenas de um guitarrista e programador. Trata-se de economia ou conceito artístico?
Jorge Drexler — Os dois. Eu poderia ter levado uma banda grande, mas meu projeto atual é centrar os espetáculos apenas na guitarra e na voz. Além disso, gosto de fazer a relação da voz com vós, pronome pessoal muito usado na língua espanhola. Soa algo como “a guitarra e vocês”.

Veja São Paulo — É verdade que na sua juventude você participava de concursos de contos e poesias?
Jorge Drexler — Escrevi um único conto na vida, chamado O Ataque, e venci um concurso cujo jurado era Eduardo Galeano (escritor uruguaio, autor do fundamental estudo As Veias Abertas da América Latina). Tratava-se de uma história com forte influência kafkaniana, na qual o protagonista perdia a influência da gravidade e começa a flutuar.

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