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Banda de idosos grava The Who e vira sensação na internet, veja versão com legenda
The Zimmers em Abbey Road Poucas semanas após ser gravado, o vídeo do grupo recebeu mais de dois milhões de hits no YouTube, tornando-se o campeão de visitas do site. A banda, The Zimmers, se apresentou nos Estados Unidos e foi notícia em mais de 60 países. A idéia partiu de Tim Samuels, autor de um documentário que tenta chamar a atenção para o drama de milhões de aposentados britânicos que vivem hoje solitários e abandonados. São 3,5 milhões de idosos vivendo sozinhos e meio milhão morando em asilos. “Eu quis fazer um documentário que mostrasse como nós tratamos os nossos idosos neste país”, disse Samuels. “Se você fosse julgasse uma sociedade pela forma como ela trata seus idosos, estaríamos em apuros”, acrescentou. Mas Samuels não queria apenas mostrar os idosos como vítimas. “A idéia era mostrar como são marginalizados mas também fazer algo que os ajudasse a reagir.” “Queríamos colocá-los de volta no centro da sociedade. E existe maneira melhor de conseguir isso do que estourar na parada pop?” Samuels viajou pela Inglaterra procurando idosos que quisessem gravar um single. Segundo ele, a maioria achou a idéia meio ridícula, mas resolveu aceitar. Alguns já tinham até ouvido My Generation, do The Who. Abbey Road Formada a banda, Samuels pediu a ajuda de gente da indústria da música. Mike Hedges, produtor do U2, Dido e The Cure, aceitou produzir o single. Neil Reed, da gravadora X-Phonics, concordou em lançá-lo. E Geoff Wonfor, diretor do vídeo do Band Aid, resolveu fazer o clipe. Para a gravação, Samuels conseguiu nada mais, nada menos, do que o lendário estúdio Abbey Road, onde os Beatles gravaram. No dia da gravação, ninguém sabia direito o que ia acontecer. Até que Alf, de 90 anos, pegou o microfone e começou a cantar a letra de My Generation: “I hope I die before I get old” (espero que eu morra antes de ficar velho). Samuels disse que nesse momento percebeu que algo muito especial estava acontecendo. O single provocou uma resposta internacional. “É um fenômeno universal”, diz Samuels. “Toda sociedade se preocupa com a forma como os idosos são tratados e se comove ao ver um grupo deles se juntar, bem no estilo rock’n'roll, para se fazer ouvir.” “Com sorte (a experiência) vai questionar alguns preconceitos sobre os idosos.” Além de Alf, outros integrantes do grupo são Buster, de 100 anos. E Winnie, de 99. “Estou me divertindo muito”, diz Winnie, apoiada em uma bengala. “Eu nasci de novo”, diz Alf. “Eu tinha 90 anos e estava preso em uma rotina. Agora sinto que estou vivendo novamente.” Fonte : BBC
Era uma vez uma menina que tinha como seu melhor amigo, um Pássaro Encantado. Ele era encantado por duas razões. Primeiro porque ele não vivia em gaiolas. Vivia solto. Vinha quando queria. Vinha porque amava. Segundo, porque sempre que voltava suas penas tinham cores diferentes, as cores dos lugares por onde tinha voado. Certa vez voltou com penas imaculadamente brancas, e ele contou estórias de montanhas cobertas de neve. Outra vez suas penas estavam vermelhas, e ele contou estórias de desertos incendiados pelo sol. Era grande a felicidade quando estavam juntos.
. Mas sempre chegava o momento quando o pássaro dizia: “Tenho de partir.” A menina chorava e implorava: “Por favor não vá fico tão triste. Terei saudades e vou chorar…” “Eu também terei saudades”, dizia o pássaro. “Eu também vou chorar. Mas vou lhe contar um segredo: eu só sou encantado por causa da saudade que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. E eu deixarei de ser o Pássaro Encantado e você deixará de me amar.” E partia. A menina sozinha, chorava. E foi numa noite de saudade que ela teve a idéia: “Se o Pássaro não puder partir, ele ficará. Se ele ficar, seremos felizes para sempre. E para ele não partir basta que eu o prenda numa gaiola.” Assim aconteceu. . A menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda. Quando o pássaro voltou eles se abraçaram, ele contou estórias e adormeceu. A menina, aproveitando-se do seu sono, o engaiolou. Quando o pássaro acordou ele deu um grito de dor. “Ah! Menina…que é isso que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias. Sem a saudade o amor irá embora…” A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por acostumar. Mas não foi isso que aconteceu. . Caíram suas plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar. Também a menina se entristeceu. Não era aquele o pássaro que ela amava. E de noite chorava pensando naquilo que havia feito com seu amigo… Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola. “Pode ir, Pássaro”, ela disse.” Volte quando você quiser…” “Obrigado, menina”, disse o Pássaro. “Irei e voltarei quando ficar encantado de novo. E você sabe: ficarei encantado de novo, quando a saudade voltar dentro de mim e dentro de você! Rubem Alves Uma ponte solitária, uma ponte que tenta ligar dois lados mas não liga, uma ponte incompleta… Sinal Fechado (Paulinho da Viola) Me perdoe a pressa Ants Marching (Dave Matthews Band) Dirigindo nesta estrada Veja os Clips Ants Marching (Dave Matthews Band) Sinal Fechado -- Toquinho & Badi Assad (pout-pourri)
Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa : “A rosa não tem “porquês”. Ela floresce porque floresce.” Drummond repetiu a mesma coisa no seu poema As Sem-Razões do Amor. É possível que ele tenha se inspirado nestes versos mesmo sem nunca os ter lido, pois as coisas do amor circulam com o vento. “Eu te amo porque te amo…” – sem razões… “Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo.” Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra. “Amor é estado de graça e com amor não se paga.” Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que “amor com amor se paga”. O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo. “Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse.
. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários… Amor não se troca… Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo…” Drummond tinha de estar apaixonado ao escrever estes versos. Só os apaixonados acreditam que o amor seja assim, tão sem razões. . Mas eu, talvez por não estar apaixonado (o que é uma pena…), suspeito que o coração tenha regulamentos e dicionários, e Pascal me apoiaria, pois foi ele quem disse que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Não é que faltem razões ao coração, mas que suas razões estão escritas numa língua que desconhecemos. Destas razões escritas em língua estranha o próprio Drummond tinha conhecimento, e se perguntava: “Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos se nem sei decifrar minha escrita interior? A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco.” O amor será isto: um soco que o desconhecido me dá? Ao apaixonado a decifração desta língua está proibida, pois se ele a entender, o amor se irá. Como na história de Barba Azul: se a porta proibida for aberta, a felicidade estará perdida. Foi assim que o paraíso se perdeu: quando o amor – frágil bolha de sabão – não contente com sua felicidade inconsciente, se deixou morder pelo desejo de saber. . O amor não sabia que sua felicidade só pode existir na ignorância das suas razões. Kierkegaard comentava o absurdo de se pedir aos amantes explicações para o seu amor. A esta pergunta eles só possuem uma resposta: o silêncio. Mas que se lhes peça simplesmente falar sobre o seu amor – sem explicar. E eles falarão por dias, sem parar… Mas – eu já disse – não estou apaixonado. Olho para o amor com olhos de suspeita, curiosos. Quero decifrar sua língua desconhecida. Procuro, ao contrário do Drummond, as cem razões do amor… Vou a Santo Agostinho, em busca de sua sabedoria. Releio as Confissões, texto de um velho que meditava sobre o amor sem estar apaixonado. Possivelmente aí se encontre a análise mais penetrante das razões do amor jamais escrita. E me defronto com a pergunta que nenhum apaixonado poderia jamais fazer: “Que é que eu amo quando amo o meu Deus?” Imaginem que um apaixonado fizesse essa pergunta à sua amada: “Que é que eu amo quando te amo?” Seria, talvez, o fim de uma estória de amor. Pois esta pergunta revela um segredo que nenhum amante pode suportar: que ao amar a amada o amante está amando uma outra coisa que não é ela. Nas palavras de Hermann Hesse, “o que amamos é sempre um símbolo”. Daí, conclui ele, a impossibilidade de fixar o seu amor em qualquer coisa sobre a terra. Variações sobre a impossível pergunta: “Te amo, sim, mas não é bem a ti que eu amo. Amo uma outra coisa misteriosa, que não conheço, mas que me parece ver aflorar no seu rosto. Eu te amo porque no teu corpo um outro objeto se revela. Teu corpo é lagoa encantada onde reflexos nadam como peixes fugidios… Como Narciso, fico diante dele… No fundo de tua luz marinha nadam meus olhos, à procura… Por isto te amo, pelos peixes encantados…”(Cecília Meireles) . Mas eles são escorregadios, os peixes. Fogem. Escapam. Escondem-se. Zombam de mim. Deslizam entre meus dedos. Eu te abraço para abraçar o que me foge. Ao te possuir alegro-me na ilusão de os possuir. Tu és o lugar onde me encontro com esta outra coisa que, por pura graça, sem razões, desceu sobre ti, como o Vento desceu sobre a Virgem Bendita. Mas, por ser graça, sem razões, da mesma forma como desceu poderá de novo partir. Se isto acontecer deixarei de te amar. E minha busca recomeçará de novo…” Esta é a dor que nenhum apaixonado suporta. A paixão se recusa a saber que o rosto da pessoa amada (presente) apenas sugere o obscuro objeto do desejo (ausente). A pessoa amada é metáfora de uma outra coisa. “O amor começa por uma metáfora”, diz Milan Kundera. “Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética.” Temos agora a chave para compreender as razões do amor: o amor nasce, vive e morre pelo poder – delicado – da imagem poética que o amante pensou ver no rosto da amada…
Tem gente que pensa que gente se entrega a outra gente e nada acontece. Tem gente que se dá a outra gente sem saber que a gente é feita de gente. Tem gente que se ilude com a idéia de que gente não transfere gente para outra gente. Tem gente que não entende que gente é contagiada quando se faz ‘um’ com outra gente. Tem gente que pensa que é brincadeira quando Deus diz pra gente não misturar o espírito com o espírito de certas gentes.
Sim, gente passa gente pra gente! “Serão os dois uma só carne…” “Faz-se um com ela…” “Grande é este mistério…” Paulo disse que na união conjugal tais ‘misturas’ atingem seu clímax para o bem, mas também pode ser para o mal. Ele diz: “…dela cuida como de sua própria carne…” E mais: “… posto que já não são dois, porém um…” E em outro lugar: “… a mulher crente, santifica o marido incrédulo… de outra sorte seriam impuros…” Eu creio em vampiros psicológicos, em seres que comem você por dentro, em relacionamentos que são como o ‘bicho da goiaba”, o amazonense “tapurú”. Ninguém se une a ninguém sem contágio, para o bem ou para o mal. Uniões têm o poder de mudar interiores, alterar almas, atingir o espírito. Se alguém sai de casa e contrata uma prostituta, e faz isso uma vez, corre o risco de contaminar-se fisicamente, e, pode desenvolver um vício para a alma. Mas se alguém sai de casa sempre para se prostituir, essa pessoa, mesmo que mude de prostituta todas as vezes, será contaminada, não necessariamente no corpo, e não necessariamente pelo espírito de uma delas, mas com certeza o será pelo “espírito de prostituição”, que não é algo muito forte na prostituta—que não se entrega por prazer—, mas o é na alma do freguês, visto que ele sim, procura ‘algo’ com avidez física e psicológica. Amizades longas com pessoas ruins podem acabar com a gente. Mas amizades curtas e breves também têm o poder de contaminar, e desviar um ser humano de seu caminho. Nada, porém, é mais profundo no seu poder de contágio do que uma união conjugal. Nesse caso, se as pessoas são de espírito bom, mesmo que não se amem, provavelmente não se façam mal. Mas se ambas ou apenas uma delas for de ‘outro espírito’, então, é muito difícil que o parceiro não seja contaminado na alma. Por esta razão nada há melhor do que a união de duas pessoas do mesmo bom espírito, especialmente se tiverem a ventura de se encontrar bem cedo na vida, e se manterem em união por toda a vida. Tais pessoas são as mais leves, livres, felizes, e simples! Há quem queira muita ‘variedade’… Meu Deus, que ilusão! Mal sabem que a tal ‘variedade’ vai deixando gambiarras penduradas pela gente, como fios desencapados e ‘em curto’. Se pudéssemos ver espiritualmente tais pessoas, as veríamos como troncos cheios de cabeças, braços, olhos, e pernas. Sim, completamente monstrificadas… Simbiotizadas de tantas formas e de tantas maneiras, que elas mesmas assustar-se-iam se pudessem se enxergar. Mas não é preciso enxergar para ver. Basta que se olhe para dentro do coração, para as legiões de seres…, para sentimentos que cada vez mais se complexificam na alma, para mentes cada vez mais compartilhadas pelos entes psicológicos que foram sendo agregados no caminho. Por isso o homem de coração simples é bem mais feliz do que aquele que sofisticadamente se auto-designa de complexo. Quando a sabedoria ordena ao jovem que guarde puro o seu coração, que simplifique os seus caminhos, e que seja focado em seus sentimentos, ela quer apenas dizer o que acabei de expor. Sim, não é nada moral, como se pensa. Mas sim é algo que tem a ver com a saúde do ser, com a paz para viver, com a unicidade existencial, com a pureza psicológica. Hoje, porém, é moda ser infeliz, complexo, sensível (significando ‘sofrido’), indecifrável, misturado, multiuso…, de tal modo que essa pessoa tem que ter ‘seu próprio analista’. Toda gente é uma ‘mistura’ de todas as gentes que passaram pelo coração, para o bem e para o mal. Nessa viagem da formação do ser há aquelas pessoas que são inevitáveis para nós, como os pais e os irmãos—nossos primeiros e involuntários casamentos na existência. Ora, muitos são os estragos que essa ‘mistura’ pode causar quando mal discernida. As piores misturas, todavia, são aquelas que escolhemos—consciente ou inconscientemente—para viver e fazer parte da gente pela via da união. Uniões são coisa muito séria… Sim, elas podem nos erguer ou nos afundar; podem nos abençoar ou nos amaldiçoar; podem nos trazer paz ou podem nos trazer angustias; podem nos salvar ou nos destruir. Por isso, se você está só, ou vindo de algo que como ‘união’ fez mal a você, não tenha pressa. Abrace sua solidão com respeito e dignidade, e agradeça a Deus o livramento. E não sucumba à tirania de se fazer acompanhar. Afinal, veja bem quem vai lhe ‘acompanhar’. Mas se você está lendo isso e pensando: “E agora? Depois de tanto ‘experimento’, ainda haverá esperança para mim?” Eu lhe digo: Sempre há esperança. O Espírito Santo é real. O amor de Deus limpa e cura. Mas o homem haverá de ser curado enquanto discerne cada pedaço de outros que foram largados no baú de sua alma. E terá que ter a coragem de discerni-los e jogá-los para fora de si mesmo. Ora, tal cura implica em discernir ‘qual carne e qual sangue’ fazem parte de nossa ‘comunhão’ existencial e espiritual. E obviamente isto só tem a ver com quem permitimos entrar e ter algum pedaço de nós, especialmente em uniões. Tal exercício de discernimento é doloroso, porém libertador. E se você discernir tais espíritos na presente constituição de sua alma, mande-os sair… pois eles sairão. Depois disso, todavia, encha a sua ‘casa’ do que é bom, e não a deixe vazia, posto que essas coisas se vão… mas de vez em quando voltam a fim de ver como anda o lugar antes ocupado, conforme nos ensinou Jesus, tanto sobre espíritos demônios, quanto também acerca de qualquer espírito, inclusive os espíritos dos humanos que já nos possuíram ou tentaram faze-lo. Esses ‘entes’, todavia, cansam de voltar. E é assim que se vai alcançando paz mais e mais… Ora, é por tudo isso que lhe peço: Veja bem com quem você está se unindo. E mais: Veja bem que espíritos você contraiu durante vínculos adoecidos. E, assim, trazendo todas as coisas para a luz, deixe que a verdade expurgue de seu ser aquilo que não é você. Caio Fabio Retirado do site www.caiofabio.com
“Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem” Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os superconfiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho. Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo. Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada artigo que escrevo e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam. Insegurança é o problema humano número 1.
O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir essa insegurança? Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora de nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera. Segurança depende de um processo que chamo de “validação”, embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor. Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito ou bonita que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição. Você sempre será um ninguém, a não ser que outros o validem como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: “Você tem significado para mim”. Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: “Gosto de você pelo que você é”. Quem cunhou a frase “Por trás de um grande homem existe uma grande mulher” (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar. Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a própria insegurança que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o “máximo” que esquecemos de dizer a nossos amigos, filhos e cônjuges que o “máximo” são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos. Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se ou dominar os outros em busca de poder. Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos. Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um “valeu, cara, valeu”. Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja. Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)
SENTIR-SE AMADO O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”. Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.” Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
Benedict Carey As cenas domésticas que lentamente sufocariam o casamento não foram “cenas” no sentido habitual, mas silêncios, negligências imaginárias, temores particulares que passaram sem ser comentados. Ela pedia que ele lavasse a louça depois do jantar e sentia-se estremecer quando ele deixava para depois, como se fosse uma rejeição. Ou ela se vestia para sair e depois lutava contra um temor crescente, com o passar dos minutos, pois ele não dizia que estava bonita. “Eu nunca disse nada, mas tinha essa necessidade de aprovação, essa terrível carência que ele não conseguia entender”, disse Ronni Weinstein, 61, uma terapeuta que mora na região de Chicago, sobre seu ex-marido. De fato, ela acrescentou, depois aprendeu que seus surtos de dependência poderiam ter sido usados para unir o casal, em vez de prejudicá-lo. “É isso que os casais saudáveis aprendem a fazer”, disse. “Depender voluntariamente um do outro e decidir quem está fazendo o quê pelo relacionamento.” A carência tem uma face conhecida: a amiga íntima que está constantemente pedindo aprovação, conselhos, ajuda para lidar com o computador. A adulta bem-sucedida que pula de relação em relação, fazendo a gueixa para cada novo parceiro. A mulher agredida que tem medo de ir embora. Mas só recentemente os pesquisadores começaram a perceber que se de certas formas a dependência pode minar a saúde mental, de outras pode representar um valioso apoio social. Em um extremo está uma necessidade desesperada de atenção – um problema constante que os psiquiatras diagnosticam como distúrbio de personalidade dependente. Em formas mais brandas, a dependência pode parecer uma carência aborrecida. Mas também pode ser um afeto protetor que cimenta os relacionamentos românticos em tempos de estresse. É o modo como as pessoas administram os surtos de dependência que determina o efeito do comportamento carente nos relacionamentos, segundo pesquisadores. “Existem pessoas dependentes que entram em pânico com facilidade, que telefonam para um amigo ou para a mulher 15 vezes por dia, minando o relacionamento, e depois há aquelas que aprenderam a modular seus impulsos”, disse o dr. Robert F. Bornstein, psicólogo na Universidade Adelphi e co-autor, com sua mulher, Mary A. Languirand, de “Healthy Dependency” [Dependência saudável] (Newmarket Press, 2003). “Essas pessoas podem ter necessidades de dependência muito intensas”, ele continuou, “mas desenvolveram técnicas sociais, aprenderam a fazer os outros se sentirem bem em ajudá-las. E isso faz toda a diferença.” Um cabo-de-guerra entre a dependência persistente e a vulnerabilidade carente é visível desde a infância. Nos chamados estudos de ligação afetiva, crianças pequenas ou primatas que confiam no afeto de suas mães tendem a ser confiantes quando exploram um espaço desconhecido ou encontram um estranho. As que são menos seguras muitas vezes se agarram às mães em situações novas, principalmente as temíveis. “Essa é uma dinâmica absolutamente fundamental que sustenta todas as nossas relações interpessoais, assim como os diagnósticos psiquiátricos”, disse o dr. Sydney Blatt, professor de psicologia e psiquiatria na Universidade Yale. Os pesquisadores medem a força dos traços de dependência fazendo as pessoas classificarem o quanto endossam certas opiniões, como “Depois de uma briga com um amigo, devo fazer as pazes assim que possível”; “Sou muito sensível aos sinais de rejeição dos outros”; ou “Tenho muita dificuldade para tomar decisões sozinho”. Nos estudos, as pessoas que têm notas altas nesses testes também tendem a classificar seus pais como autoritários ou excessivamente protetores (ou um de cada). “A mensagem quando a pessoa está crescendo é: ‘Você é frágil, você é fraco, precisa de alguém forte para cuidar de você’”, disse Bornstein. Essa criação leva muitas pessoas, conforme amadurecem, a buscar pares igualmente dependentes entre amigos, colegas e parceiros românticos. O padrão persiste pelo menos em parte porque é freqüentemente recompensado. Em um estudo recente, psicólogos classificaram 48 homens e mulheres que estudavam no Gettysburg College na Pensilvânia sobre medidas de dependência, e calcularam suas notas médias. Depois de controlar as notas nos exames escolares dos estudantes e a dificuldade de seus currículos, entre outros fatores, os pesquisadores descobriram, para sua surpresa, que os estudantes que tinham notas mais altas em medidas de dependência se saíam significativamente melhor nos estudos, em média, do que os que eram mais auto-suficientes. Um motivo provável, segundo os autores, era que os estudantes dependentes tinham muito maior probabilidade de dizer que buscavam a ajuda dos professores para os trabalhos do curso. Em outro experimento, apresentado em janeiro na reunião anual da Associação Psicanalítica Americana, psicólogos da Universidade de Louvain, na Bélgica, mediram traços de dependência, satisfação nos relacionamentos e níveis de conflito em 266 adultos em relacionamentos duradouros. Os pesquisadores descobriram que os parceiros dependentes tinham notas significativamente mais altas em satisfação do que os mais auto-suficientes – mas só quando os casais estavam brigando. Pelo menos em curto prazo, as características de dependência pareciam proteger os relacionamentos em tempos de crise, sugerem os autores. Temendo perder o relacionamento, “os indivíduos mais dependentes podem realmente se comportar de maneira mais positiva com seus parceiros, como ser mais cordatos e mais amorosos”, disse Bénédicte Lowyck, psicóloga que liderou o estudo. Em longo prazo, disse Lowyck, não está claro se esses instintos protetores alimentam o relacionamento ou o prejudicam. A resposta dependerá do casal, segundo especialistas, e provavelmente do conteúdo da dependência do parceiro: como ela é expressa, se a pessoa é generosa além de carente, flexível além de ansiosa. Para distinguir diferentes matizes ou variedades de dependência, dois psicólogos, Aaron L. Pincus, da Pennsylvania State, e Michael B. Gurtman, da Universidade de Wisconsin em Parkside, aplicaram uma exaustiva bateria de questionários sobre dependência a 654 estudantes de psicologia. As notas classificaram tudo, de confiança social a preferência por solidão e necessidade de agradar aos outros. A análise das respostas pelos psicólogos sugeriu que há três variedades diferentes de padrões de comportamento dependente. Um é definido predominantemente pela submissão (“Eu não tenho o que é necessário para ser um bom líder” ou “Sou facilmente convencido em uma discussão”). Outra se caracteriza principalmente pela explorabilidade (“Tenho medo de ferir os sentimentos das pessoas” ou “Eu faço coisas que não são do meu interesse para agradar aos outros”). E uma terceira, que os psicólogos chamaram de dependência amorosa, baseia-se numa necessidade de conexão social (“Ficar isolado dos outros tende a levar à infelicidade” ou “Depois de uma briga com um amigo, devo fazer as pazes assim que possível”). As pessoas que lutam com uma necessidade exagerada de aprovação dos outros podem exibir momentos dos três tipos. “Mas essa dependência amorosa é a mais adaptativa”, disse Pincus. “São pessoas que formam ligações muito fortes, que não estão felizes se não estiverem cercadas de amigos e da família” e têm menor probabilidade de tropeçar em suas próprias ansiedades. Weinstein, a terapeuta de Chicago, disse que em mais de 30 anos de prática ela viu dezenas de casais em que a submissão e a exploração puseram fim a casamentos. E estudos atuais sugerem que em relacionamentos muito perturbados e abusivos o agressor, assim como a vítima, muitas vezes tem um medo dependente de perder o relacionamento. “Esse é o tipo de casal em que o marido pode dizer: ‘Você vai fazer compras sozinha? Vai me deixar aqui sozinho? Você não pode fazer isso. Olhe, vou levá-la de carro”, disse Weinstein. “E esse tipo de intercâmbio que parece trivial pode se tornar muito exigente e até violento, por causa desse medo irracional do abandono.” Terapeutas tarimbados podem ajudar as pessoas a administrar esses medos, mas há poucas pesquisas que orientem o tratamento. Em uma abordagem, as pessoas aprendem a identificar e modificar alguns hábitos de conversa que tornam suas interações com os outros tão voláteis. Por exemplo, elas aprendem a reduzir o número de vezes que procuram aprovação em uma conversa – “Você não está dizendo isso, está?” ou “Você realmente quer dizer isso?” – e, eventualmente, a mudar o foco da conversa para o outro. O paciente também pode aprender a diluir seus temores de perder o relacionamento aceitando algumas evidências do compromisso do parceiro: flores, jantares românticos, massagens nas costas. O parceiro também pode ajudar, pelo menos em casos de carência mais branda. Os psiquiatras muitas vezes aconselham uma espécie de distanciamento simpático: reconhecer os medos da pessoa; oferecer um pouco de tranqüilidade; mas incentivar a pessoa a pelo menos experimentar interesses, hobbies ou hábitos que não girem em torno do relacionamento. E depois desligar o celular durante algumas horas.
Tocar
A pele é o maior órgão que temos no corpo. E é através da pele que desenvolvemos um dos órgãos dos sentidos. Tocar e ser tocado são fundamentalmente importantes, tanto física como emocionalmente. Na vida intrauterina o feto recebe estímulos sensoriais através da pele o tempo todo. No processo de nascer estes estímulos são aumentados através das contrações do útero sobre o corpo do bebê, e principalmente sobre a cabeça. É no contato corporal com a mãe que a criança faz sua primeira comunicação com o mundo. E é através deste contato que o bebê percebe o conforto, calor e segurança tão necessários para sua adaptação e desenvolvimento nos primeiros tempos de vida. Ashley Montagu relata as experiências do Dr J. Brennemann, onde índice de morte entre bebês internados no hospital Bellevue de Nova York (1938), que recebiam contato físico através de passeios no colo, aconchego e cuidados maternais, caíram de 30-35% para 10%.1 Montagu, declara ainda que: “Descobriu-se que, para a criança se desenvolver bem, ela deve ser tocada, levada no colo, acariciada e aninhada nos braços; deve-se falar com ela carinhosamente, mesmo que não seja amamentada. É o toque das mãos, do colo, as carícias, os cuidados, a proteção dos braços que queremos enfatizar aqui, pois parece que mesmo na ausência de muitas outras coisas, estas são experiências essenciais de traquilização que o beb6e precisa sentir para que possa sobreviver dentro dos parâmetros de saúde. O ser humano pode sobreviver a privações sensoriais extremas de outra natureza, como a visual e a sonora, desde que seja mantida a experiência sensorial da pele.” pág. 106 A falta do contato físico tem acarretado muitos danos no ser humano, não só no que diz respeito as doenças de pele, mais também na interação social do indivíduo e no desenvolvimento da capacidade de amar e criar vínculos. Observe esta declaração: “É principalmente a estimulação da pele do bebê pelo tato que o capacita a sair de dentro de sua pele. Os que foram frustrados neste sentido, permanecerão, por assim dizer, prisioneiros de sua própria pele e agirão, por isso, como se sua pele fosse uma barreira que os mantivesse presos lá dentro; ser tocado torna-se, para tais pessoas, uma invasão á sua integridade.”.2 Penso também que, talvez a busca desenfreada por experiências sexuais, seja um sintoma da necessidade por contato corporal, uma vez que na relação sexual a pessoa experimenta uma estimulação cutânea intensa e por inteiro, o que não acontece em nenhuma outra atividade de “corpo a corpo”. Biblicamente, temos o exemplo de Jesus Cristo que não se esquivou de ser tocado e nem de tocar. Ele tocou as crianças, os doentes, os excluídos e os amigos. Deixou-se tocar pelas mulheres, doentes e discípulos. E é Tiago um dos seus irmãos que manda “tocar com óleo…nos enfermos”.3 Se cada vez mais se comprova que falta do toque traz disfunções e dificuldades, então fica também comprovado que o tocar, com amor e interesse genuíno, traz restauração!!! Esther Carrenho – CRP 06/50729-9 Pillar cantando Sunday Bloody Sunday “War (1983)” “Wipe the tears from your eyes” “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima…” Apocalipse 21 : 4 “We eat and drink while tomorrow they die” Uma brilhante ironia de I Coríntios 15:32 “How Long?” “A minha alma está muito perturbada; até quando, Senhor, até quando?” Salmos 6 : 3 “Até quando falarão, Senhor, dizendo coisas arrogantes, e se gloriarão todos os que praticam a iniqüidade?” Salmos 94 : 3 “Até quando, Senhor, clamarei por socorro, sem que tu ouças? Até quando gritarei a ti: “Violência!” sem que tragas salvação?” Habacuque 1 : 2 Uma montagem muito engraçada, Bush cantando Sunday Bloody Sunday
From: AQUELA QUE BUSCA, NÃO ENCONTRA…
Sent: Thursday, January 18, 2007 6:55 AM Subject: Vida afetiva… Tenho 32 anos, sou/estou solteira e fui criada no berço da “religião” evangélica. Quando conheci o meu primeiro namorado, também primeiro homem, freqüentávamos a Igreja Central. O melhor de tudo, foi que nessa época (1990 a 1995), a “igreja” não fazia a minha cabeça. Leio Cartas através do seu site, nas quais as pessoas ficam ou ficaram meio perturbadas com a “igreja”. Graças a Deus, já não era e não é o meu caso… Bem, sendo mais objetiva… O nosso namoro era muito conturbado, cheio de brigas, traições de ambas as partes e ciúmes. Até que um belo dia, resolvi procurar ajuda terapêutica para curar-me da relação doentia que nós tínhamos, e depois, enfim, acabou-se tudo. Ele, coitado, ficou muito mal com o término do relacionamento. Afundou-se em drogas, tentou suicídio; e, depois, casou-se com uma mulher 10 anos mais velha. Depois desse relacionamento, nunca mais tive êxito em relacionamento afetivo algum. Só apareceram homens casados ou comprometidos, querendo alguma coisa… Até me envolvi com um homem casado durante um ano e três meses. Mas terminamos, porque no final ele viu que ainda tinha muito que “resolver” com a mulher dele. Cheguei a pensar muitas vezes que tinha alguma “maldição” em minha vida. Visto que o casamento dos meus pais não deu certo. E há em minha família muitas frustrações nesta área, muitas separações (tia, tio, prima e etc.). Tenho muito medo do futuro. Medo de ficar cada vez mais sozinha. Sem nenhuma perspectiva de melhora nesta área. De uns tempos para cá, os ‘homens casados’ pararam de atormentar-me. Quando eles me rondavam, ainda dava para tapear mais a solidão… Minha vida está totalmente solitária, sofrida e sem saber mais o que pensar sobre o assunto. Já ouvi também muitas “profetadas”… Mas a pior de todas foi um dia em que o Pastor-X “orou” por mim; e disse que a minha vida sentimental estava “bloqueada”. E que para “desbloquear”, eu teria que queimar uns papéis nos quais ele estava escrevendo; tomar banho de vinagre; pregar um prego numa árvore qualquer; etc. Fiquei pasma! Mas depois de ler muito as “reflexões”, “devocionais” e as “cartas”, as dúvidas em relação a essas mandingas foram por água a baixo. Então, meu querido e amado pastor, gostaria de uma orientação quanto a isto. Como disse no parágrafo anterior, não sei mais o que pensar. Não sou uma mulher bonita e de dotes, mas também não sou feia. Já me revirei por dentro e por fora, para saber o que há de errado comigo. Já pedi para Deus, tirar as vendas dos meus olhos, se houver. Já fiz de tudo. Li outro dia, em “opinião” (site): “MULHERES LINDAS E FRUSTADAS… E HOMENS SEM ATRATIVO”. Maravilhoso! Fui definitivamente, muito edificada! Bem, espero que tenho sido clara. Muito obrigada por ouvir-me. Um abraço de sua fã, _________________________________________________________________________________________________________ Resposta: Querida amiga: Graça e Paz! A única coisa que vi na sua carta foi uma imensa perda de tempo, energia e reais oportunidades na vida. Veja: Você tem apenas 32 anos, é bela e inteligente, tem sua própria vida, mas não fez nenhum progresso na vida afetiva e relacional, pois, isto só é possível com um homem, não se distraindo com vários, sejam eles solteiros ou casados. Assim, o que temos? Uma mulher de 32 anos, portanto, ainda jovem, e que passou a primeira parte da idade adulta namorando e se dando a um homem que, em você, encontrou apenas muita perturbação, com traições de ambos os lados… Desse modo, ele sofreu se relacionando com você muito mais do que você com e por ele. Entretanto, mesmo tendo casado com uma mulher 10 anos mais velha (o que você incluiu entre as coisas ruins que aconteceram ao “coitado”) — ele está lá, vivendo a vida dele, e quem ficou coitada foi você. Originalmente a palavra “coitado” equivalia a dizer que alguém “tava ferrado …” — posto que coitado é aquele que tem sido objeto de coito contra a vontade. Assim, o “coitado” dessa história não é ele. Quando pessoas passam sucessivamente pela nossa vida e nunca ficam, saiba: é porque muito provavelmente haja algo errado na gente. Essas coisas não são feitas de maldições externas a nós, mas sim de maldiçoes criadas por nós mesmos, pela nossa vida, pelo caminho e escolhas que fazemos; e, sobretudo, pela maldição de quem, suavemente, vamos nos tornando… Assim, seu problema é você, e não a vida. Seus pais podem ter deixado um legado ruim para você, mas apenas em termos de cultura familiar e psicológica. Explico: Muitas vezes as coisas que nos constituem nunca foram checadas por nós; pois, pensamos que já nascemos com elas, e que, por isto, elas são parte de nós — como um braço, uma perna, ou um olho. Ora, elas se tornam parte de nós, mas não são o que Deus chama de ‘eu’ em mim. Foi desse tipo de coisa que Jesus falou quando disse que deveríamos arrancar em nós tudo aquilo que trabalhasse contra nosso ser real. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno. Desse modo, eu creio que muito do que hoje faz mal a você, está em você, e muito disso é herança familiar, tanto da criação como do convívio com eles — os pais e a família. Portanto, por mais doloroso que seja, veja o que existe de ruim deles em sua vida, em seus sentimentos, em suas explosões de raiva, em seu humor, em seus caprichos, em suas expectativas, valores, e significados. Sim! Esse é o diabo que ninguém quer enxergar! Quem dera essas coisas fossem curáveis numa sessão de “quebra de maldiçoes”, mas, não todos os dias (como eles fazem, gerando a maldição da dependência a eles) — porém, de uma vez e para sempre. Mas não é possível… A cura, entretanto, pode até ser num dia, num abrir e fechar de olhos, embora, em geral, seja um processo sem fim, mas não mais doído e sofrido. Entretanto, será assim, apenas se a pessoa olhar com verdade para si mesma, discernindo sua própria constituição interior, a qual designa o caminho de cada um. Pois a gente é conforme o nosso ser. Então, voltemos a você. Você já pensou na razão verdadeira do seu primeiro namorado ter surtado com você, e, aparentemente, ter conseguido ficar com a mulher mais velha? Você já parou para pensar em sua imaturidade emocional e afetiva? Você já se perguntou se morar, viver, e estar com você é algo fácil para um homem? Você é complicada, ainda que prendada? Você tem desejos que não podem ser frustrados? Você é o tipo de pessoa que vai ficando desinteressante no convívio com a outra pessoa? Como você vê quero ajudar você, e não afagá-la com ilusões! Você disse que os homens casados pararam de “dar em cima” — e concluiu dizendo que isso pelo menos ajudava a distrair, a tirar o tédio. Agora, entretanto, nem eles… Sem saber de nada, mas apenas sentindo, eu diria o seguinte: Você é a dona da bola; tem caprichos fortes; é altamente frustrável; acha que os homens têm que existir para você; e, possivelmente seja também uma pessoa muito sufocante na relação; e do tipo que cobra muito, exige demais, e sempre quer ser amada antes…; muito mais do que amar. Em resumo: sua carência é tão grande, e seus enganos pessoais são tão sutis, que você não se enxerga, transferindo os problemas para fora de você, desde que não seja para um diabo muito cheio de mandingas… Supondo que a idade de se começar a pensar em casamento seja aí pelos 24-25 anos, e considerando que você só tem 32, o que vejo foi tempo perdido. De fato, uns sete anos de tempo jogado fora. Entretanto, isto, como disse no início, não é problema, pois, de fato, você é ainda muito jovem. Todavia, o seu “sou/estou solteira”, me chamou atenção. Sim! Porque você se nega a viver o que vive. Daí o ter relativizado o ‘sou solteira’ por um ‘sou/estou’ — típico de quem tem vergonha do status de solteira. Ora, você sempre foi solteira. Nunca casou. E, todos os relacionamentos que teve, por mais que também tenham sido com homens casados, não significaram nada além de vínculos de transa, ou, no melhor disso, paixões de desejo — e nada mais que isso. Desse modo, assuma que você é solteira, e ponto. Tire de sua alma a fixação no ter que encontrar alguém; pois, nesse caso, quem busca, não encontra; quem bate, só acha monstros atrás da porta; e quem pede, só recebe gorjeta… Assim, busque viver em paz, sem a aflição de ter que ter alguém, sem medo do futuro, e sem ansiedade… — pois, quem vive assim, assusta a quem chega perto! O que suponho é que, inconscientemente, sua energia seja ‘pegajosa’. Assim, os casados ficam com medo de se fecharem atrás de uma porta de cadeia emocional, com potencial do tipo “atração fatal”; e, os solteiros, ao sentirem você, temem ter que tomar uma decisão acerca de casamento sem nem mesmo terem conhecido você. Mulher que quer casar, em geral fica solteira! Mulher que casa bem é, em geral, muito tranqüila, leve e discreta, mesmo quando bela; e que não tenta seduzir de modo algum. Mulher sedutora seduz tanto que não leva nada! Mulher que casa bem é, em geral, aquela que não busca, não pede e não bate na porta. Mulher desejosa é comida, mas não se alimenta; é provada, mas não prova nada; é cheia de histórias, mas não faz história com ninguém. Mulher desejosa vive frustrada! Mulher cheia de caprichos é coberta deles até que o cara diga: “Aqui já tive e já tirei tudo o que queria. Daqui pra frente é chatice!” Mulher cheia de caprichos se carrapicha enquanto anda… Portanto, amiga querida, peço a você que ao invés de derramar vinagre em algum lugar, ao invés de rasgar esta carta, e ao invés de pregar um prego em alguma árvore — que veja se há vinagre em sua alma; se há cartas de vida e amor sendo rasgadas por você inconscientemente; e se você não é um prego, que fixa as pessoas, ao invés de amá-las. Pense no que lhe disse, pois, mais simples para mim era nada dizer. Mas, Deus sabe, o disse querendo ajudar você como um pai ajuda a filha — afinal, tenho filho mais novo que você apenas 1 ano. Receba meu carinho. Nele, em Quem tudo tem que ser em espírito e em verdade, Caio
AMORES PLATÔNICOS
Todos os adultos do mundo já tiveram ao menos um amor platônico. O aluno pela professora, a professora pelo vocalista da banda, o vocalista pela vizinha do terceiro andar, a vizinha pelo chefe casado, o chefe pela cunhada. É o poético Maria que amava Jorge que amava Suzana que amava Luiz que amava Fátima que não amava ninguém. Tá assim, ó. Muitos deles estão sozinhos até hoje. Outros estão acompanhados, mas cultivam um amor secreto, o que os faz sentir sozinhos também. Só não está sozinho quem está apaixonado e sendo plenamente correspondido. O resto vai passar a semana dos namorados praticando seu esporte favorito: fantasiar. Ninguém escolhe vivenciar um amor platônico, mas quando isso acontece, muitos, sem perceber, apegam-se a ele, pois é um amor idealizado, romântico, sofrido, que nos faz sentir heróicos por suportá-lo apesar de todas as dificuldades. O platonismo nos torna vítimas de um amor impossível, e há quem goste de desempenhar este papel, pois ele atrai a piedade dos outros ao mesmo tempo que nos isenta de ir à luta. É difícil medir o quanto há de amor verdadeiro e o quanto há de autoflagelo em alimentar um sentimento não retribuído. O amor precisa ser uma via de mão dupla. Ele sobrevive através do dar e do receber. Amar sem ser amado é uma coisa que acontece todos os dias em todos os lugares, mas a manutenção deste amor depende da pessoa que ama: ou ela tenta escapar desta armadilha, abrindo espaço para que um amor mais concreto e saudável venha preenchê-la, ou ela morre de esperança. A vida é curta e não merecemos dedicar tanto tempo a um amor que não se realizará jamais. Os românticos dirão que é melhor um amor vivenciado unilateralmente do que amor nenhum. No meu dicionário, isto é falta de auto-estima. São pessoas que dão de comer a fantasmas: ficam olhando fotos, provocando encontros “casuais” e sonhando com cenas perfeitamente plausíveis em uma novela mexicana, mas não na vida real. Se o alvo da nossa paixão está disponível e tem uma vaga noção da nossa existência, tudo bem tentar realizar este amor, pois ele é viável. Já o amor platônico é, por definição, estéril. Só gera solidão. Martha Medeiros
Caio,
Vejo que você nunca associa o tema da oração a qualquer coisa que tenha a ver com casamento, encontro de homem e mulher, noivado, e coisas assim. Você concorda comigo? Gostaria de saber o por quê. É algum trauma seu? Ou é de tanto ver o que acontece? Sei que você crê e fala em oração. Por isso creio que você ora por muitas coisas. Mas estranho o seu silencio sobre o casamento. Por quê? Desculpe se me meti. Mas é uma curiosidade que tenho com você. Obrigado, ____________________________________________________________ Meu amigo: Graça e Paz! Sim, é verdade! Não peço a Deus para ninguém casar com ninguém. E não faço isto por algumas razões. 1a Não vejo na Escritura ninguém orando para casar com ninguém. As pessoas simplesmente casavam com quem queriam (no caso dos homens ricos ou independentes) ou com quem era “arranjado” pelos pais ou pela família. Não vejo nem mesmo o N.T. excitar as almas com essa intercessão. Ao contrário, a leitura de I Coríntios 7 parece não carregar nenhum incentivo quanto a se fixar em oração pelo tema, nem antes do casamento, e nem tampouco a fim de dar certeza de que o marido incrédulo será convertido. “Como sabes?”—é a pergunta de Paulo; e, como resposta, ele manda que o casal use o critério da “paz” para ver se vale ou não a pena permanecer juntos. 2a Nunca vi em Jesus a menor preocupação com o tema. Ele ressuscita mortos, mas não dá ordens a um marido que se foi…, quanto a voltar. À mulher chamada “adultera” pela “sinagoga”, Ele apenas a perdoa e manda que ela não viva mais daquele modo, mas não tenta fazer arranjos para que haja um encontro entre a mulher e um homem que ela goste. 3a Na minha experiência, depois de ver praticamente de tudo nessa área, prefiro fazer como meu filho Lukas, quando juntos íamos para as Bodas de Ouro de meus pais, avós dele. Ele disse no caminho de ida: “Eles provaram que podem se casar!” O interessante é que estávamos indo comemorar os 50 anos de casamento dos dois. Portanto, muito coerentemente com o que vi desde sempre, especialmente como pastor, é que só aposto num casamento quando ele se mostrou sólido, e, em geral, é quando os dois já venceram o mundo juntos. 4a Já vi traumas e surtos de desconfiança psicopatológicos se infiltrarem na alma de pessoas, especialmente mulheres, que receberam “garantias proféticas” de aquele era o “varão”; e que, logo depois, entraram em crise espiritual ao descobrir que o “varão de Deus” era um tremendo de um 171 cristão. Conheço gente internada em estado de desequilíbrio em razão disso. Outros perderam a fé. Outros se tornaram cínicos. E outros estão com “raiva de Deus” até hoje. 5a Na minha maneira de ver, tendo a Escritura a liberdade de listar feitos e feitos da fé — até mesmo ressurreição de mortos, o mar se abrir, e o sol parar em razão de uma oração —, intriga-me que ela jamais tenha contado a história do homem ou da mulher que quis alguém, orou, orou, orou, e, por conta disso, Deus tenha feito surgir amor naquela pessoa pela outra. Não! Em minha Bíblia não encontro nada disso. E por que será? Na minha opinião é porque o amor é lugar misterioso, e Deus o criou para ser assim, e qualquer tentativa de “despertá-lo sem que este o queira”, conforme o Cantares, é uma temeridade. Em minha opinião um casamento deve ser um encontro supremo de liberdade, espontaneidade, verdade, escolha, e prazer de dizer: “Esta é minha!” Ou, ainda: “Esta afinal é minha carne!” A complexidade disto está no fato de que hoje há milhares de Adaõs e Evas. Assim, o mistério é cada vez maior. No entanto, a liberdade de Deus ao homem deixa isto num plano misterioso no qual somente o coração tem a prerrogativa da decisão. A única ordem explicita de Deus em relação fazer acontecer um casamento, em toda a Escritura, é o do Padeiro Oséias com a desvairada Gômer, a adultera que se entregava aos homens pela mais profunda incontinência e compulsão sexual. Não parece ser uma ordem que a maioria gostaria de receber dos céus. Faço casamentos sempre. Mas há muitas décadas que não conduzo “votos de casamento” para ninguém durante a cerimônia. Deixo os noivos prometerem o que quiserem. Afinal, eu mesmo, acho que os “votos” ou “juramentos” (palavra anátema entre evangélicos) não condizem com as afirmações bíblicas do “tu não sabes”… “Deus pôs tudo no desconhecimento…”… “como sabes?”…etc. Assim, oro pedindo a Deus que o casal possa saber manter o que tem, que sejam sábios, que evitem tudo aquilo que destrói o vínculo, etc. Mas jamais induzirei ninguém a pensar que aos 25 anos ou em qualquer idade, duas pessoas sabem com certeza que ficarão juntas para sempre. Ora, se não sabem é porque Deus disse que ninguém sabe nada de coisa alguma. Quem achar diferente, deve recorrer à “boacumba evangélica”, posto que para mim, tais certezas, são coisa de encanto e feitiçaria. No casamento vejo razões bastante claras para deixar tudo na base da esperança. Portanto, deixo que os pretendentes expressem uma confissão de propósitos, um desejo sincero, uma vontade boa, mas nada além disso; pois, eu sei que ninguém sabe o que acontecerá. Casamento é como Política: o homem tem que fazer em nome do homem, não de Deus. Todos os casamentos, até os mais felizes, vivem estações de divorcio psicológico ou emocional, de desinteresse, de mornidão, de tédio, de ócio, de habito, de rotina, e de cansaço. Faz parte. Porém, se as pessoas não têm a perseverança para “passar pela tribulação”, a maioria termina o que ainda teria muita chance de vida. Por isto, ao invés de colocar o jugo do “agüente o que vier”, apenas digo: Problema são normais, e fazem parte do próprio casamento. Mas onde um homem e um mulher se amam com maturidade e sabedoria, tudo pode ter solução”. Mas não evoco nenhum milagre que não seja amor; sim, o amor que eles já têm. Afinal, nunca vi, via intercessão em oração, alguém que não deseja, passar a desejar; alguém que não ama conjugalmente, passar a amar; e alguém que detesta o cônjuge desde o inicio, passar a quere-lo; e jamais vi surgir tesão onde antes nunca houve tesão. Todos os casais que eu vejo ficarem bem, passando por crises, são aqueles que se amam. Quem se ama tem todas as chances, mas quem não se ama pode apenas conseguir resistência para agüentar aquilo que detesta. Casamento, porém, não é campo de batalha. Afinal, Paulo diz: “Deus vos tem chamado à paz!” Aqueles que verdadeiramente se uniram, esses foram unidos por Deus. Os que nunca se uniram, todavia, nenhuma oração os fará ficarem juntos em amor conjugal. Podem até sublimar a crise e ficarem juntos apesar de tudo. Mas aí não há um casamento, conforme a alma demanda que um casamento seja. O fato mais que simples é que assim como em qualquer outra coisa na vida, no casamento o justo também casará e viverá pela fé. Não há outro caminho senão amor pelo cônjuge, e fé de que juntos irão conseguir; obviamente que cada um fazendo sua parte, cedendo, buscando harmonia, e desejando o bem da paz. Espero que minha posição, ainda que exposta simplificadamente, lhe seja útil e esclarecedora. Nele, em Quem o que é, é, Caio 2005 retirado do site |
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