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Leia estes 3 parágrafos… acho que vai convence-lo a ler o resto… Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway 1. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste. Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos. Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint – Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor. Aqui começa o texto Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim. É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto prazo. No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos. Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego. Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima. Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada? Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada. Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada: 1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados. Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar. As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta. A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações. Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina. 2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI. 3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora. 4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando. 5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos. 6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos – isso não é verdade) 7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los. 8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa. 9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir. Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway 1. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste. Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos. Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint – Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.
Para resumir uma longa história: as cidades se tornaram depósitos de lixo para problemas gerados globalmente. Os moradores das cidades e seus representantes eleitos tendem a ser confrontados com uma tarefa que nem por exagero de imaginação seriam capazes de cumprir: a de encontrar soluções locais para contradições globais.
. Daí o paradoxo, observado por Castells, de “políticas cada vez mais locais num mundo estruturado por processos cada vez mais globais” : “Houve uma produção de significado e de identidade: meu bairro, minha comunidade, minha cidade, minha escola, minha árvore, meu rio, minha praia, minha capela, minha paz, meu meio ambiente.” “Indefesas diante do furacão global, as pessoas se agarraram a si mesmas.”" Observe-se que, quanto mais estiverem “agarradas a si mesmas”, mais indefesas tenderão a ficar “diante do furacão global”, assim como mais desamparadas ao determinarem os significados e identidades locais, e portanto ostensivamente seus – para grande alegria dos operadores globais, que não têm motivos para temer os indefesos. . Como Castells insinua em outro texto, a criação do “espaço dos fluxos” estabelece uma nova hierarquia (global) de dominação mediante a ameaça de desengajamento. O “espaço dos fluxos” pode “escapar ao controle de qualquer localidade”, enquanto (e porque!) “o espaço dos lugares é fragmentado, localizado, e portanto crescentemente destituído de poder diante da versatilidade do espaço dos fluxos. A única chance de resistência das localidades consiste em recusar direitos de propriedade a esses fluxos esmagadores – apenas para vê-los atracar na localidade vizinha, provocando o desvio e a marginalização de comunidades rebeldes”". . A política local – e em particular a política urbana – tornou-se desesperadamente sobrecarregada, muito além de sua capacidade de carga/desempenho. Agora espera-se que alivie as conseqüências da globalização descontrolada usando meios e recursos que essa mesmíssima globalização tornou lamentavelmente inadequados. . Retirado do livro Amor Líquido de Zygmunt Bauman Veja também Amor Líquido 1 , 2 , 3 , 4 . Veja também no mesmo tema “Tropa de Elite”
VAMOS SUPOR agora que o marciano não tivesse desistido e por curiosidade tivesse decidido ficar para dar mais uma olhada. Que aconteceria se não se detivesse diante dos impropérios e torrentes de acusações de anti-americanismo e relativismo moral e insistisse em observar o mais elementar dos truísmos morais? Para tentar responder vamos voltar à pergunta sobre o que é terrorismo, que é uma questão importante.
. Há um caminho adequado que um repórter marciano sério pode percorrer a fim de encontrar a resposta para aquela pergunta: olhar para as pessoas que declararam guerra ao terror e procurar saber como elas definem o que é terrorismo. Isso parece bastante razoável. Existe, de fato, uma definição oficial na legislação dos Estados Unidos, nos manuais das forças armadas e em outros lugares. É uma definição sumária. Terrorismo é definido como “o uso deliberado da violência ou a ameaça do seu uso para atingir objetivos de natureza política, religiosa ou ideológica… através da intimidação, coerção ou pela implantação do medo”. Bem, isso parece simples e, até onde consigo ver, bastante apropriado. Mas ouvimos dizer constantemente que o problema de definir terrorismo é muito complexo e polêmico e o marciano poderia se perguntar por que isso acontece. Decerto, existe uma explicação. . A definição oficial é singular. É singular por duas razões importantes. Primeiro porque é uma paráfrase perfeita da política oficial do governo – perfeita, de fato. Quando é política de governo, chama-se conflito de baixa intensidade ou contra-terrorismo. . A propósito, esta prática não é exclusiva dos Estados Unidos. Até onde eu sei, ela é universal. Apenas como um exemplo, voltando a meados dos anos de 1960, a Rand Corporation, agência de pesquisas ligada principalmente ao Pentágono, publicou uma coleção de interessantes manuais japoneses de contra-revolução tratando do ataque japonês à Manchúria e ao norte da China na década de trinta. Eu tinha algum interesse na questão – escrevi um artigo na época comparando os manuais de contra-revolução japoneses com os manuais de contra-revolução dos Estados Unidos para o Vietnã, que são praticamente idênticos. Aquele artigo não pegou muito bem, digamos assim. . Bem, de qualquer maneira, isso é um fato e, até onde sei, um fato universal. Eis, portanto, uma razão por que não podemos usar a definição oficial para terrorismo. A outra razão é muito mais simples: de tão radical, ela dá respostas completamente erradas sobre a questão de quem são os terroristas. Em decorrência, a definição oficial deve ser abandonada, e você terá que procurar alguma outra definição mais sofisticada que lhe dará as respostas corretas, e isso não é fácil. É por isso que ouvimos dizer que se trata de um problema tão difícil e que os nossos melhores cérebros lutam para equacioná-lo, e assim por diante. . Felizmente a solução existe. Ela consiste em definir terrorismo como o terrorismo que é praticado contra nós, quem quer que sejamos. Até onde sei, isso é universal – no jornalismo, no mundo acadêmico, e tenho a impressão de que na história do mundo; pelo menos não encontrei até hoje nenhum país que não obedecesse a essa lógica. Agora, com essa conveniente caracterização de terrorismo, podemos chegar à conclusão modelar que você costuma ler o tempo todo na mídia: aquela que diz que nós e nossos aliados somos as principais vítimas do terrorismo e que o terrorismo é arma dos mais fracos. . Claro, terrorismo nos manuais do governo é a arma dos mais fortes, como a maioria das armas, mas por definição ela é a arma dos mais fracos, desde que se entenda a palavra “terrorismo” apenas como o terrorismo que é feito contra nós. Portanto, fique claro que terrorismo, por definição, é a arma dos mais fracos. Sendo assim, as pessoas que repetem isso nos jornais e revistas estão sempre certas; é uma tautologia, e uma tautologia por convenção. . Tautologia??? É o uso de palavras diferentes para expressar uma mesma idéia; redundância, pleonasmo Noam Chomsky no Livro “Controle da Mídia, os espetaculares feitos da propaganda”
Dele, o jornal inglês The Guardian escreveu: “Noam Chomsky está ao lado de Marx, Shakespeare e a Bíblia como uma das dez mais citadas fontes nas ciências humanas – e é o único autor, entre eles, ainda vivo.” O New York Times, com quem trava batalhas há décadas, chamou-o “o mais importante intelectual vivo.” Mas Noam Avram Chomsky dificilmente é uma unanimidade. Nem quer ser: a polêmica parece parte essencial desse lingüista que abraçou o pensamento político e insistiu em teses tão provocativas como a defesa do regime sanguinário de Pol Pot na Camboja e a afirmativa de que os mortos do World Trade Center foram poucos em comparação com os provocados por governos americanos no Terceiro Mundo. Chomsky nasceu na Filadélfia em 7 de dezembro de 1928. Na Universidade da Pensilvânia estudou lingüística, matemática e filosofia. Desde 1955, é professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, ocupando uma cátedra de Língua Moderna e Lingüística. Casou-se com Carol Schatz, professora da Universidade de Harvard, em 1949, e tem dois filhos. Fez sua reputação inicial na lingüística, tendo aprendido alguns dos seus princípios históricos com o pai, um erudito do hebraico. Seus trabalhos na gramática generativa, que derivaram do seu interesse pela lógica moderna e pelos fundamentos da matemática, deram-lhe fama. Sempre se interessou pela política e suas tendências para o socialismo são resultado do que chama de “a comunidade judaica radical de Nova York”. Desde 1965, tornou-se um dos principais críticos da política externa latino-americana. Seu livro O poder americano e os novos mandarins foi considerado um dos ataques mais substanciais ao envolvimento americano no Vietnã. Hoje, Chomsky é a voz mais respeitada da esquerda acadêmica e intelectual. Mesmo sendo um radical nada convencional. Produziu um substancial volume de teoria política própria e defende a busca da verdade e do conhecimento nos negócios humanos de acordo com um conjunto simples e universal de princípios morais. Escreve de jeito claro, fala com o público especializado e com o leitor em geral. Pode-se dizer que é um herdeiro da Nova Esquerda dos anos 1960. No seu livro mais famoso da época, O poder americano e os novos mandarins, ele disse que os Estados Unidos precisavam de “uma espécie de desnazificação”, insinuando que o país estava caindo no fascismo. Fonte: Revista Cult
Benjamin Nugent/Nova York
Tradução: George El Khouri Andolfato A missão social de Bono do U2 na África O maior astro do rock do mundo também é o maior defensor da África. Mas Bono sabe que precisa defender a ajuda com a cabeça, e não com o coração Por Josh Tyrangiel Bono é um egomaníaco. Ele sabe disto e freqüentemente se desculpa por isto. Quando ele desobedece as instruções de seu empresário, ele repreende a si mesmo -”astro pop malvado”- o que permite que comente o ridículo do estrelato pop ao mesmo tempo que serve como um lembrete de que ele é, de fato, um astro pop. Ele seria um megalomaníaco caso sua preocupação com o poder fosse ilusória, mas não é. Há menos de um mês, na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, ele se sentou ao lado de Bill Gates para discutir formas de salvar um continente; dois dias depois ele cantou para uma audiência de televisão de 130 milhões durante o show de intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano. Não foi uma semana ruim. Dá para culpar o sujeito por ser um pouco cheio de si? Com um mero movimento de cabeça, Bono pode comandar a atenção de um estádio lotado. Mas quando ele trabalha em uma sala menor, seu carisma se adapta; ele se torna sereno, hábil. No final de certa noite, durante o fórum em Nova York, uma dúzia de representantes da Fundação Bill & Melinda Gates, da Igreja Episcopal, MTV e Data (Dívida, Ajuda e Comércio para a África) se reuniram para uma sessão estratégica em um salão nos fundos de um restaurante de Manhattan. O grupo estava debatendo formas para convencer os americanos de que salvar a África da ruína financeira é do interesse dos Estados Unidos. Como freqüentemente acontece no debate sobre a África, a discussão eventualmente afundou em uma frustração cansada. Por volta da meia-noite, o ar abandonou o salão e, com ele, qualquer lampejo de produtividade. Então Bono, o cantor da banda U2, entrou. Vestindo uma jaqueta preta de couro, seus óculos característicos tingidos de azul e um sorriso maroto, ele deslizou em volta da mesa, apertando mãos e beijando bochechas. Como o Super-Homem se transformando em Clark Kent, o zeloso ativista político entrou em ação. Antes que tipos tímidos pudessem cochichar sobre algum encontro anterior, ele os colocou à vontade, mencionando seus nomes e as circunstâncias da última vez que se encontraram: “É claro! O fórum em Boston!” Concluída sua transmissão de ânimo, Bono -fundador, porta-voz e principal benfeitor da Data, um grupo sem fins lucrativos de defesa do cancelamento da dívida -se sentou na ponta da mesa e, à 1 hora da madrugada, recontou os detalhes de sua sessão no início da manhã como 30 congressistas republicanos. “Eu não estou disposto a desistir dos republicanos”, disse ele sobre seus esforços para converter os congressistas ao cancelamento da dívida e maior ajuda à África. “Eles são durões, mas se dispõem a escutar”. Com a energia renovada no salão, Bono, o deus do rock, desapareceu. À medida que as idéias fluíam, ele aprovava com a cabeça silenciosamente, apenas outro nerd proferindo acrossemias. Isso durou por quase uma hora até que Trevor Neilson, diretor de projetos especiais da Fundação Bill & Melinda Gates, reclamou: “Olha, nós temos que abrir mão, segundo a lei tributária, de US$ 1,2 bilhão por ano”. “Trevor”, disse Bono, ganhando novamente as proporções de astro pop para melhor dizer sua fala, “nós podemos ajudar”. O U2 está concorrendo a oito prêmios Grammy nesta semana por “All That You Can’t Leave Behind”. Este álbum e os concertos da banda -ainda os melhores do rock- se tornaram pedras de toque culturais depois de 11 de setembro. O U2 conseguiu, com alguns poucos tropeços ao longo do caminho, o feito quase sem precedente de se manter musicalmente -e politicamente- relevante por 22 anos. Mas apesar de ser um grande astro do rock -e sem rival- Bono se tornou ainda maior nos últimos três anos, se moldando em um ativista político dedicado, astuto, se transformando no mais secular dos santos, um símbolo mundial do ativismo do rock-and-roll. Parte poeta, parte político, ele pegou sua causa -solucionar os problemas financeiros e de saúde da África- e ajudou a colocá-la na agenda das pessoas mais poderosas do mundo. “A princípio eu recusei a me encontrar com ele” disse o secretário do Tesouro, Paul O’Neill, que no ano passado se juntou ao papa João Paulo II, Bill Clinton, Jean Chretien, George Soros, Jesse Helms e Colin Powell na lista de encontros de Bono. “Eu achei que ele era apenas outro astro pop que queria me usar”. Após a reunião programada para meia hora ter durado 90 minutos, O’Neill mudou de idéia. “Ele é uma pessoa séria. Ele se importa profundamente com estas questões, e sabe de uma coisa? Ele conhece muito a respeito”. Os astros do rock tendem a se considerar sábios emocionais, pessoas que sentem o risco do desaparecimento das florestas tropicais e a angústia dos tibetanos mais profundamente que o restante da humanidade. O envolvimento de Bono com a África começou da forma típica da celebridade diletante. Em 1984, o U2 participou do Band Aid e do Live Aid, os esforços de Bob Geldof para combater a fome na Etiópia. Enquanto muitos dos participantes do Live Aid fizeram suas apresentações e passaram para a próxima causa, Bono e sua esposa, Alison Stewart, decidiram descobrir o verdadeiro estado da fome africana. Eles viajaram para Wello, Etiópia, e passaram seis semanas trabalhando em um orfanato. “Você acordava pela manhã, e a neblina começava a dissipar”, lembrou Bono. “Você caminhava para fora da tenda, e contava os corpos das crianças mortas e abandonadas. Ou pior, o pai da criança vinha até você e tentava lhe dar seu dar seu filho vivo, dizendo: ‘Fique com ele, porque se for seu filho, ele não vai morrer”. A experiência permaneceu em sua mente até 1999, quando se juntou ao movimento Jubileu 2000. Citando o Levítico (“Santificarão o qüinquagésimo ano… cada um de vocês recobrará a sua propriedade”), a meta do Jubileu 2000 era fazer com que os Estados Unidos e outras nações ricas, assim como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, cancelassem a dívida externa dos 52 países mais pobres do mundo, a maioria deles na África. Ao eliminarem US$ 350 bilhões de seus livros contábeis, estes países estariam livres para gastar o dinheiro em saúde e educação, ao invés de abaterem o principal dos empréstimos contraídos por governos corruptos e em muitos casos que já deixaram de existir há muito tempo. “Nós extraímos destes países ao ponto de seus sistemas de saúde se tornarem absolutamente inoperantes”, disse Jeffrey Sachs, o economista de Harvard que negociou o pacote de cancelamento da dívida da Bolívia em 1986. “Os sistemas educacionais estão falidos, e há muita morte associada ao colapso da saúde pública e a falta de acesso à medicamentos. Eu não acho que os americanos queiram isto”. Apesar de Bono saber o básico sobre o cancelamento da dívida, ele consultou Sachs quando iniciou seu período como embaixador não-oficial do Jubileu. “Ele me telefonou e disse que gostaria de um encontro para conversar sobre as dívidas externas”, disse Sachs. “E pediu para que eu levasse comigo um colega conservador, pois queria ouvir o outro lado”. Armado com sua instrução rápida sobre o cancelamento da dívida, Bono começou a usar sua fama para fazer lobby junto aos políticos, mesmo aqueles que não sabiam exatamente quem ele era. “Eu nunca vou esquecer certo dia do meu governo”, disse o ex-presidente Bill Clinton, “no qual o secretário [do Tesouro, Lawrence] Summers veio ao meu gabinete e disse: ‘Sabe, um sujeito acabou de vir me ver vestindo jeans e camiseta, e só tinha um nome, mas ele era bem inteligente. Você sabe alguma coisa a respeito dele?’” No ano passado o Jubileu 2000 foi rebatizado de Drop the Debt (suspendam a dívida), e Bono permaneceu como o porta-voz mais famoso e persuasivo do grupo. Ele fundou a Data, que espera lançar oficialmente em meados de março, como um veículo para expandir sua agenda para a África, incluindo ajuda econômica a curto prazo, redução de embargos comerciais e recursos para o combate à Aids em troca de democracia, responsabilidade e transparência dos governos por todo o continente. “Eu sei o quanto é absurdo ter um astro do rock falando sobre a Organização Mundial de Saúde, ou o cancelamento da dívida ou HIV/Aids na África”, disse Bono. Mas ele também sabe que ninguém mais com o acesso à mídia e o dinheiro que ele dispõe assumiu o cargo. Em um esforço para manter a discussão séria e evitar a aparência de ser apenas outro roqueiro contra coisas ruins, ele evita tratar a África como uma questão emotiva. “Nós não usamos compaixão como argumento”, disse ele. Seu argumento é pragmático, não um sermão. “Nós colocamos a questão nos termos mais grosseiros possíveis; nós a tratamos como uma questão de segurança e uma questão financeira para a América… Há potencialmente outros 10 Afeganistãos na África, e é 100 vezes mais barato impedir o incêndio do que ter que apagá-lo”. A Agenda Data se baseia livremente no Plano Marshall, que forneceu aos europeus assistência estrangeira, cancelamento da dívida e incentivos comerciais para a reconstrução de suas economias após a Segunda Guerra Mundial, para que pudessem agir como uma defesa contra a expansão soviética. Quando Bono se encontrou com Colin Powell em janeiro de 2001, ele levou um presente, uma bilhete assinado por George C. Marshall, outro militar que se tornou secretário de Estado. O roqueiro se mostra lírico ao falar sobre o Plano Marshall: “Você ainda encontra pessoas da idade dos meus pais na Europa que falam sobre o Plano Marshall. Foi o momento em que a Europa sentiu as graças da América, de uma forma maior do que apenas contribuir com poderio militar”. Bono quer que sua visão para a África seja tão eficaz e duradoura para as futuras gerações quanto o Plano Marshall foi para as do passado. “Será que podemos fazer algo de que as pessoas se orgulhem daqui algumas gerações?” ele perguntou. À 1h30 da madrugada, exatamente cinco horas depois de sua apresentação no intervalo do Super Bowl, Bono estava exercitando o direito fundamental do astro do rock de ser ridículo. No jantar de comemoração pós-jogo com seus companheiros de banda, a produção do U2 e a atriz Ashley Judd (uma velha amiga), ele tomou um pouco de vinho tinto, contou algumas histórias sobre Frank Sinatra, deixou um recado na caixa postal do celular do marido de Judd, o informando gentilmente que sua esposa tinha sido raptada por uma banda de rock, e depois saiu de fininho para o banheiro para fumar um cigarro. (Bono acha que os demais membros do U2 não sabem que ele fuma; eles sabem.) Depois de 15 minutos, o guitarrista The Edge, que mantém uma espécie de papel paternalista em relação ao seu amigo de infância e companheiro de banda, olha para o banheiro e diz nervosamente: “Bono é alérgico a vinho tinto”. Certamente Bono desmaiou no chão do banheiro. Sheila Roche, a vice-empresária do U2, se mantém despreocupada e continua bebendo seu drink. “Ele provavelmente está tirando um cochilo. Ele é um excelente cochilador”, disse ela. Poucos minutos depois, Bono despontou amarrotado mas renovado. Enquanto deixava o restaurante e abria caminho em meio a multidão na Bourbon Street, ele jogou os braços para o alto e gritou para ninguém em particular: “Não, eu não vou fazer a dança da cobra para você!” Bono estava em pleno modo astro do rock, e ele tinha um bom motivo para saborear o momento. O U2 quase acabou alguns anos atrás. Após o lançamento em 1997 do álbum “Pop”, o primeiro fracasso na carreira deles, os membros da banda -todos na faixa dos 40 anos, todos com relacionamentos, interesses paralelos e mais dinheiro do que poderiam gastar- tiveram que decidir se existia um bom motivo para continuarem sendo uma banda. “Por que vocês ainda estão existindo?” perguntou The Edge retoricamente. “Sabe como é, vocês fizeram alguns ótimos álbuns. Mas por que ainda estão gravando? Parte do que decidimos é que sentíamos ou acreditávamos que ainda podíamos gravar o álbum do ano”. Em “All That You Can’t Leave Behind”, que recebeu oito indicações para o Grammy, incluindo a de Álbum do Ano -o U2 dispensou a bateria eletrônica e os DJs empregados em “Pop” e voltou ao difícil negócio de compor grandes canções diretas. Nas letras, Bono estava lutando com a doença terminal de seu pai (o pai dele, Bob Hewson, morreu de câncer no ano passado), mas a especificação pode ser a ruína do pop. Canções como “One”, “Where the Streets Have No Name”, “Stay (Faraway, So Close)” e “Walk On” de “All That You Can’t Leave Behind” conseguem o impossível -se tornarem significativas para milhões de pessoas- precisamente por serem belamente vagas. “Bono recentemente fez algo que provavelmente não deveria ter feito”, disse o baterista Larry Mullen Jr. “Ele fez um livro como um favor para um amigo dele da Irlanda no qual ‘explica’ todas as letras. Eu acho isto um erro porque um das coisas mais valiosas sobre as letras dele é que você pode adaptá-las a qualquer situação em particular”. Milhões de ouvintes adaptaram “All That You Can’t Leave Behind” para lidar com o trauma de 11 de setembro. Depois que o primeiro compacto, “Beautiful Day”, conquistou três prêmios no Grammy do ano passado -fazendo Bono declarar sem nenhuma modéstia: “Nós estamos nos recandidatando ao posto. Que posto? O posto de melhor banda do mundo”- o álbum lentamente caiu na parada da Billboard, chegando à 108o lugar em agosto de 2001. Mas nos meses que se seguiram a 11 de setembro, enquanto as pessoas procuravam por conforto, fuga ou ambos, o álbum ganhou novo impulso, chegando ao 25o lugar depois do Super Bowl, em sua 67a semana de lançamento. O álbum não é presciente, apenas elástico. Em “Walk On”, a melhor faixa do álbum, Bono canta: “Eu sei que dói/E seu coração parte/E você só pode suportar um limite/Siga em frente”. E em “Peace on Earth”, ele lamenta: “Cansado do pesar/Cansado da dor/Cansado de ouvir repetidas vezes/De que haverá paz na Terra”. A turnê Elevation do U2, que já realizou mais de 100 shows com lotação esgotada para mais de 2 milhões de pessoas em 2001, também ganhou um ar completamente diferente depois de 11 de setembro. “Havia ira, raiva, patriotismo, tristeza”, disse Mullen Jr. “Tudo se tornou assustadoramente extremo”. Em reconhecimento à tragédia, o U2 começou a projetar os nomes dos membros falecidos da polícia e do corpo de bombeiros de Nova York, assim como os das vítimas dos quatro vôos fatais, nas telas e paredes das arenas enquanto tocavam “One”. “Eu tenho que admitir que no começo tive dúvidas”, disse o baixista Adam Clayton. “Parecia que estávamos realmente apertando um botão. Mas Bono é um sujeito único, e tem um grande julgamento. Ele é capaz de realizar uma cirurgia cardíaca e realizar uma cirurgia no cérebro das pessoas ao mesmo tempo”. O U2 incorporou os nomes na exibição do intervalo do Super Bowl (os projetando durante as canções “MLK” e “Where the Streets Have No Name”). Não foi uma declaração política, apenas emocional. Como planejado, ela não disse nada em particular e ao mesmo tempo comunicou algo profundo. Foi exatamente o tipo de momento impossível, de ascensão, que Bono acredita que o U2 existe para promover. Perambulando por Nova Orleans depois do jogo, Bono reviveu cada um dos 11 minutos da apresentação em algo parecido a tempo real. “Eu espero que saia bem na televisão, porque eu senti -ah!- que foi fantástico”. A badalação dos momentos impossíveis é do que vivem os astros do rock, mas não é prático para um ativista político. Duas semanas depois da apresentação do Super Bowl, Bono estava em Los Angeles para aceitar uma doação de US$ 100 mil (R$ 242 mil) da Fundação da Indústria do Entretenimento para a Data. Ele marcou uma reunião na sacada de sua suite no Chateau Marmont com Michael Stipe, Quincy Jones, Bobby Shriver (o produtor musical e levantador de fundos, filho de Sargent e Eunice Kennedy Shriver) e Jamie Drummond, o diretor da Data. É uma reunião de novas idéias, e Bono espera empregar as mentes filantrópicas mais aguçadas da indústria da música para aumentar a conscientização pública para as questões centrais da Data. “Não envie dinheiro. Nós já temos”, anunciou Stipe, tentando reproduzir o envio em massa de cartões postais pedindo o cancelamento da dívida. A sala adorou. Enquanto Stipe fazia anotações, Jones se perguntava em voz alta qual parte da Agenda Data -o cancelamento da dívida, tornar as regras comerciais mais vantajosas para os países pobres ou obter mais fundos para medicamentos para Aids e para a saúde- Bono deseja que o mundo se concentre. “Eu acho que você tem questões demais. Foi assim que falhamos antes”, disse Quincy Jones, que levantou dinheiro para os famintos em 1985 como parte do USA for Africa. “Os americanos não conhecem a p__ da Filadélfia, muito menos a África. Comércio é uma questão muito complexa. Você precisa particularizar o drama para eles. Você precisa ter uma linha melódica”. Bono não estava tão certo. A reunião foi interrompida quando Bono saiu para uma sessão fotográfica. Enquanto cruzava Los Angeles de carro, ele discutiu a noção de Quincy Jones de uma linha melódica. “Do que estamos tratando? África. 70% do problema do HIV/Aids se encontra na África. Nós estamos falando de um continente explodindo em chamas, enquanto ficamos em volta com regadores. Esta é a nossa idéia. Mas quanto mais nos aproximamos dos autores de políticas, mais necessitamos de especificidade, e precisamos saber do que estamos falando. Eu vou e falo sobre cancelamento da dívida, cancelamento da dívida, cancelamento da dívida, e as pessoas dizem: ‘Mas isto é apenas uma parte do problema’”. Aos 41 anos, Bono diz que desistiu da música como força política. Ele acredita que seu trabalho de negociação política em salas fechadas é mais vital e eficaz do que cantar para estádios lotados. “A poesia não faz nada acontecer”, escreveu certa vez o poeta W.H. Auden, e Bono tristonhamente concorda. “Eu estou cansado de sonhar. No momento eu estou mais voltado para pôr em prática. É como se no momento eu só tivesse metas que posso perseguir. O U2 lida com o impossível. Política é a arte do possível. São muito diferentes, e estou resignado com isto agora. A música é a coisa que me impede de adormecer no conforto da minha liberdade. Eu aprendi sobre a América do Sul ouvindo o Clash. Eu aprendi sobre o situacionismo com os Sex Pistols. Mas há uma grande distância entre isto e lidar com tetos orçamentários e com um Congresso que suspeita de ajuda porque tantas vezes já foi empregada indevidamente”. A música faz a diferença de uma forma: ela influencia as pessoas emocionalmente. Mas para Bono isto não é mais suficiente: “Quando você canta, você torna as pessoas vulneráveis para mudanças em suas vidas. Você se torna vulnerável para mudanças em sua vida. Mas no final, você precisa se transformar na mudança que você deseja ver no mundo. Na verdade eu não sou um exemplo muito bom disto -eu sou muito egoísta, e o direito de ser ridículo é algo que estimo muito- mas mesmo assim, eu sei que é verdadeiro”. |
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